"Sou ferro forjado pela vingança — até que o beijo dela revelou uma fissura que nenhum aço consegue soldar." — Fernando Torrenegro
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Luna roubou de mim aquilo que ninguém jamais ousou tocar: o controle.
Quando os lábios dela se abriram sob os meus, não foi um beijo — foi uma sentença. Não beijei apenas uma mulher; beijei a falha no meu próprio projeto de ferro. Foi ali, num gesto que parecia simples, que percebi o que sempre temi: a minha fortaleza tinha uma porta feita de pele e som, e ela a atravessou sem pedir licença. Tarde demais para recuar. Tarde demais para fingir que nada mudou.
Pensei em chamar aquilo de impulso, fogo rápido — excusas elegantes para quem precisa se enganar. Mas o gosto dela permaneceu. Adoptou-me. Gravou-se como uma cicatriz que queima quando o vento muda. Agora, de pé diante da janela do escritório, a cidade dorme e tudo me parece frágil; até o ódio que me sustentou durante anos parece um metal corroído. Sinto os lábios arderem como se a própria memória do