157: Luna Castilho

“Alguns silêncios não pedem respostas — pedem coragem. A minha foi entender que sobreviver ao meu pai significou, finalmente, nascer para mim.”

🖤

O silêncio que vem depois da guerra é traiçoeiro porque não traz vitória estampada no peito. Ele não explode, não ameaça, não sangra. Apenas se infiltra — lento, persistente — e cobra tudo o que foi adiado enquanto eu sobrevivia. Acordo antes do amanhecer com o coração acelerado, como se meu corpo ainda estivesse atrasado em relação ao mundo. A mão vai ao ventre por instinto, não em pânico, mas em vigília. Há uma vida ali que não conhece o medo que me formou, e essa consciência pesa mais do que qualquer ameaça explícita jamais pesou.

Fernando dorme ao meu lado. Sei pelo ritmo da respiração, profundo, inteiro, finalmente sem sobressaltos. É um som que deveria me acalmar — e acalma —, mas também me lembra que algo terminou de verdade. Não o toco. Não por distância. Por respeito. Há lutos que não se dividem no instante em que surgem. Há dores
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