"Nunca hesitei — até ela transformar meu domínio em fome e minha sentença em rendição." — Fernando Torrenegro
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Nunca hesitei.
Nunca.
Cada ordem minha vinha como sentença: passo calculado, tiro planejado, silêncio que fazia cair cabeças. Ergui impérios com sangue e certezas, moldei homens para obedecer sem raciocinar. Eu era isso: uma máquina de decisão, um mapa de estradas seguras. Não erro. Não cedo. Não me desarmo.
Até ela.
Ela desmonta meu mapa como quem vira um livro sem esforço — e eu, que li guerras inteiras antes do café da manhã, me perco nas margens de uma página. O pior não é só o sabor dela queimando nos lábios; é a necessidade absurda e animal de voltar àquela chama. É acordar no meio da noite e procurar a sombra dela entre as sombras dos corredores do meu domínio. É sentir a respiração falhar quando alguém menciona o nome dela numa reunião. É não reconhecer mais a urgência da vingança quando o pensamento dela chega primeiro, como um contrabando inevitável.
Ela não implo