Fernando Torrenegro
Sempre acreditei que finais precisavam ser grandiosos. Que só faziam sentido quando vinham acompanhados de sangue, fogo, sirenes e corpos no chão. Um último acerto de contas que justificasse cada perda, cada cicatriz, cada escolha errada feita em nome da sobrevivência. Vivi como quem esperava esse momento — o dia em que tudo explodiria de vez.
Eu estava errado.
O verdadeiro fim chegou numa manhã comum. Tão simples que quase passou despercebido. O sol atravessou a janela sem pedir licença, tocando o chão como se não soubesse de nada do que já aconteceu ali dentro. Não havia homens armados nos corredores. Nenhum telefone vibrando com más notícias. Nenhum plano sendo traçado em voz baixa.
Havia silêncio.
O tipo de silêncio que não ameaça. Que não exige. Que apenas existe.
Café esfriando na mesa, esquecido porque ninguém teve pressa de bebê-lo. O relógio marcando o tempo sem urgência. E, no quarto ao lado, o som da respiração de Luna — profunda, ritmada, viva. Cada vez