Mundo ficciónIniciar sesiónO Contrato Dizia Esposa. Ele Leu Propriedade. Lena Whitmore não perdeu só o pai. Perdeu o sobrenome, o dinheiro, o respeito e qualquer chance de negociar em igualdade. Quando o pai é preso por um escândalo financeiro que destrói sua família, Lena descobre que a única prova capaz de salvá-lo está nas mãos do homem mais poderoso e cruel da cidade. Vincent Blackwood. CEO bilionário. Intocável. Frio. Um homem que não faz favores. Faz contratos. Ele oferece um acordo simples demais para ser inocente: casamento civil imediato, silêncio absoluto e obediência às regras da casa. Lena assina achando que está vendendo sua imagem. Vincent assina sabendo que está comprando controle. Agora, presa em uma mansão onde cada olhar é vigilância e cada toque é um aviso, Lena precisa sobreviver a um marido que a expõe em público, a humilha em privado e a deseja como se fosse posse. Ex-noivas vingativas. Uma família bilionária cheia de segredos. Um contrato com cláusulas que ela nunca leu até o fim. Quanto mais Lena luta para manter sua autonomia, mais Vincent aperta o cerco. Quanto mais ela tenta odiá-lo, mais o desejo vira uma armadilha. Porque nesse jogo não existe amor limpo. Só poder, controle… e a pergunta que pode destruí-la: — até onde ela vai para salvar o pai e a si mesma?
Leer másO DIA EM QUE MEU PAI VIROU NOTÍCIA DE CRIME
O problema de ter um pai levado algemado pela Polícia Federal às seis da manhã não é a sirene rasgando o silêncio da rua. É o silêncio absoluto que fica no apartamento depois que eles levam os computadores, as pastas e a sua dignidade num saco plástico transparente. Faltavam três meses para eu pegar meu diploma de jornalismo. Três meses para provar que o sobrenome Whitmore servia para assinar a capa de uma revista de circulação nacional, não para estampar a página policial com fontes garrafais vermelhas. Mas a vida tem um senso de humor sádico. Descer do meu prédio na Vila Mariana e caminhar até o metrô, duas horas depois da batida policial, foi um exercício de dissociação. A cidade não para porque a sua vida acabou. O asfalto cheirava a poluição e garoa seca. Na roleta da estação, um cara de terno esbarrou no meu ombro e xingou baixo, apressado para bater ponto. O perfume masculino caro ficou grudado na minha roupa por alguns segundos, como se o universo fizesse questão de lembrar que homem de terno quase sempre passa por cima do problema. Ninguém ali sabia que o nome da minha família estava rodando nos rodapés dos canais de notícias matinais. Eu não tinha nem limite no cartão para o Uber de volta pra casa, quanto mais pra ida. O trajeto inteiro pela Linha Amarela até o escritório do advogado foi feito em pé. Eu segurava a barra de metal gelada, o balanço do vagão batendo meus joelhos uns nos outros, enquanto lia no celular do homem ao meu lado a manchete inevitável: Roberto Whitmore preso em operação por fraude. O pânico já tinha passado na noite anterior, vomitado no azulejo frio do meu banheiro. Agora só restava aquela frieza tática que a gente veste quando não tem mais luxo de entrar em desespero. Quando finalmente cheguei, o escritório do advogado parecia um aquário caro, fechado pro resto do mundo. O ar-condicionado de Carlos estava no máximo, congelando as pontas dos meus dedos e secando minha garganta, mas o homem do outro lado da mesa passava um lenço de pano na testa a cada dois minutos. — A fiança é impagável, Lena — ele repetiu, a voz arranhando, seca. Não era a primeira vez que ele dizia isso na última hora. — E os bens já estão bloqueados. Seu pai não tem dinheiro livre. Você não tem dinheiro livre. Apertei o copo de papelão de café que a secretária me deu até o plástico da tampa estalar sob meus dedos. Minha boca tava seca, gosto de noite mal dormida. Eu amava Roberto Whitmore com a consciência pesada de quem sempre soube que os negócios dele tinham pontos cegos. Ele não era um santo, fez escolhas que eu questionava. Mas ele era o cara que dirigia quarenta minutos debaixo de temporal só pra me buscar na faculdade sem que eu pedisse, e eu não ia deixar ele apodrecer numa cela provisória sem tentar de tudo. — Tem que ter uma opção, Carlos. — Minha voz saiu reta. Plana. — Uma venda direta de ativos menores. Um empréstimo paralelo. Um agiota menos agressivo que a média. Qualquer coisa. Carlos parou de enxugar a testa. Ele baixou os olhos para a pasta preta de couro cru, perfeitamente alinhada no centro da mesa de vidro. O único objeto na sala que parecia valer mais do que a minha vida no momento. — Existe uma proposta. — Ele destravou o fecho de metal. O clique soou alto demais no ambiente fechado. — Não é um agiota. É uma... liquidação de passivos. Alguém disposto a cobrir a fiança integral, assumir as dívidas primárias e limpar a primeira página dos jornais até amanhã cedo. Continuei encarando a pasta. Ninguém j**a um bote salva-vidas no meio de um naufrágio financeiro milionário sem querer o pescoço de alguém como garantia. — Em troca de quê? — perguntei. Carlos não respondeu. Ele apenas virou a pasta na minha direção e deslizou um contrato espesso pela mesa. Papel grosso, cheiro de tinta cara e ar-condicionado de escritório que nunca viu notícia ruim. Puxei o documento. Minha mente de jornalista, treinada para dissecar balanços e caçar inconsistências em diários oficiais, assumiu o controle. Meus olhos varreram a primeira página. Termo de Assunção de Dívida e Obrigações Acessórias. Até aí, juridiquês padrão. Mas na segunda página, a linguagem corporativa começou a se deformar. O vocabulário mudou de ativos financeiros para controle pessoal. Cláusula 4: Transferência imediata de domicílio para a residência principal do Credor. Cláusula 5: Manutenção rigorosa de aparências públicas em eventos designados, sob coordenação da assessoria do Credor. Cláusula 7: Confidencialidade absoluta sobre os termos deste acordo, sob pena de execução patrimonial e criminal. Meu polegar parou na borda da folha, a unha lascada raspando no papel. Isso não era um empréstimo. Isso era um acordo de confidencialidade misturado com um contrato de prestação de serviços absurdamente invasivo. Só que o serviço não estava especificado. Fui direto para a última página. Para a linha pontilhada da assinatura do credor. Fiquei olhando para o nome impresso ali até as letras perderem o sentido. Vincent Blackwood. Duas palavras que eu já tinha visto na capa da Forbes, em tapumes de obras faraônicas, na lateral de um prédio comercial inteiro de vidro na Faria Lima. Vincent não era só um empresário rico. Ele era a porra de um império de concreto, aço e controle. Um homem capaz de redesenhar a silhueta da cidade e esmagar a concorrência sem nunca precisar levantar a voz ou sorrir para uma câmera. E eu sabia disso não só pelas notícias. A memória veio como um soco: meses atrás, cheguei em casa e encontrei meu pai no escritório, a porta trancada, o rosto da cor de cinza velha. Ele segurava o telefone com as mãos tremendo, sussurrando o nome Blackwood com um terror engasgado, como se fosse uma arma destravada apontada para a própria cabeça. Roberto Whitmore tinha pavor visceral desse homem. O suor frio na testa de Carlos de repente fez todo o sentido do mundo. E Vincent Blackwood não estava apenas comprando as dívidas do meu pai. A Cláusula 1, logo abaixo da linha de assinatura, era muito clara, brutal e sem margem para renegociação. Ele estava me comprando.O Que Ele Esconde Na Ala LesteA marca do polegar de Vincent na lateral do meu pescoço ainda queimava horas depois que ele tirou a mão dali.Era pouco mais de três da manhã de sexta. A equipe que veio trocar os cilindros das fechaduras já tinha ido embora. A casa inteira estava naquele silêncio programado e frio da madrugada. Eu continuava sentada no tapete escuro do meu quarto, de costas pra cama desarrumada, encarando a porta dupla.“Eu toquei em você porque eu quis. Ninguém marca território na minha casa além de você.”Não era declaração de amor. Era confissão de controle sem freio. Vincent Blackwood me comprou pra ser distração de manchete, mas a linha entre vitrine e homem tinha rachado no meio do hall de mármore.E eu precisava de vantagem.Levantei do chão, o piso de madeira gelado na sola dos pés. Se eu era a dona da casa, como ele gritou pro chefe de segurança, então zona cega no meu território não era mais aceitável. Isabella usou um nome como arma no baile. O mesmo no
TERRITÓRIO MARCADOEu ainda estava parada no centro do hall de mármore quando o sistema biométrico da porta principal apitou.O som agudo cortou o ar pesado do corredor. O relógio de pêndulo na sala de jantar marcava cinco da tarde. Vincent disse que voltaria só à noite, mas a porta de chapa de aço foi empurrada pra dentro com força desnecessária, revelando a silhueta dele contra a luz cinza do fim de tarde.Ele não vinha na pose polida de fim de expediente. O paletó do terno azul-marinho estava pendurado no ombro. A gravata tinha sumido. O colarinho aberto mostrava a linha tensa do pescoço.Ele parou na soleira.A primeira coisa que Vincent fez não foi me olhar. Foi puxar o ar do ambiente.O maxilar travou na hora. O perfume floral doce da Isabella ainda pairava, misturado ao cheiro dos lírios.Os olhos cinza varreram o corredor, passaram pela biblioteca aberta e, por fim, pararam em mim. Ele viu a calça jeans gasta, os braços soltos, as marcas brancas na pele onde eu tinha apertado
A Ex-noiva Não Esqueceu O CaminhoO cheiro de vetiver demorou doze horas pra sair da minha pele. Mesmo depois de um banho quase fervendo na manhã seguinte ao baile do Rosewood, a lembrança da mão de Vincent no meu maxilar e do peso do corpo dele contra o meu continuava presa na nuca.Passei a maior parte da quinta-feira escondida na biblioteca do térreo.O cômodo era enorme, estante de nogueira até o teto, e cheirava a papel velho e cera. Era o único lugar da mansão que parecia feito pra guardar silêncio humano, não o vazio corporativo do resto. Sentei numa poltrona de couro no canto mais escuro, com um livro de direito imobiliário aberto no colo, tentando entender na prática o que uma execução de nota promissória fazia com uma construtora.A leitura não rendia. A cada três parágrafos, minha cabeça voltava pro canto escuro do salão de festa. Pros olhos cinza em tempestade antes dele me acusar de estar tremendo.Eu estava perdendo o foco. E perder foco em território inimigo é o primeir
Ele Me Viu Desta VezA taça de champanhe de Isabella Vance brilhava sob a luz do lustre de cristal, mas o sorriso dela era opaco. Morto.A palavra pedigree ficou flutuando no espaço entre nós três.Eu não recuei. A mão pesada de Vincent nas minhas costas não permitiu, mas, mesmo se ele me soltasse, eu não ia dar um passo pra trás. Sorri de volta pra loira, devolvendo a mesma cortesia venenosa.— Pedigree é superestimado, Isabella — respondi, a voz estável. — No fim das contas, raça pura serve pra vitrine. Vira-lata é quem sobrevive na rua quando o tempo fecha.O sorriso de Isabella vacilou por um milésimo.Antes que ela retrucasse, Vincent entrou. A voz dele era gelo.— Se você está procurando a ala de caridade pra distribuir opinião irrelevante, o salão três fica à esquerda, Isabella.Ela piscou, engolindo o veneno diante da parede que ele ergueu.— Você costumava ter mais senso de humor, Vincent — murmurou, os olhos baixando para a mão dele aberta na minha pele. — Camila teria achad
O PREÇO DA VITRINEO trajeto até o salão de festas do Hotel Rosewood durou quarenta minutos de silêncio absoluto.O vidro escuro do SUV refletia as luzes da Paulista, mas a minha atenção estava presa no reflexo do homem ao meu lado. Vincent usava um smoking preto feito sob medida que apagava qualquer traço de “executivo cansado” e deixava só a aura de monarca intocável. Ele não mexia no celular. Não lia nada. Só observava a cidade como se fosse dona dele.Eu vestia a isca. A equipe de relações públicas escolheu um vestido de seda preta que caía como água escura no meu corpo. Mangas longas, gola alta, nada de decote na frente. O golpe estava nas costas: um V profundo da nuca até o fim da coluna, pele inteira exposta. Casto de frente, perigoso de costas. Metáfora perfeita pro meu casamento.O carro parou na entrada do hotel.— Lembre-se do briefing — Vincent disse, a voz grave preenchendo o espaço antes do motorista abrir a porta. — Eles vão testar você. Vão procurar a garota assustada
A ISCA PERFEITA VESTE SEDAA luz da manhã na mansão Blackwood não entrava pelas janelas; ela invadia. Branca, cirúrgica e sem a menor piedade da minha noite mal dormida.O relógio digital marcava sete em ponto. Sentei na beira da cama king-size e olhei pra camiseta do Ramones jogada no tapete. À luz do dia, o furo na barra parecia só trapo velho, não bandeira de resistência. O peso da madrugada bateu na nuca. A cozinha escura. A porta da geladeira fechando a um milímetro do meu rosto. A voz de Vincent rouca vibrando perto da minha pele.Passei as mãos no rosto, esfregando os olhos, empurrando o cansaço pra trás. Vincent é mestre em manipular ambiente, e eu quase caí no truque do isolamento seguido de intimidade empurrada. Quase.Levantei e fui até o closet. Hora de vestir armadura.Ignorei jeans velho e o vestido amassado. Puxei uma calça de alfaiataria preta de cintura alta e uma camisa de seda verde-esmeralda que provavelmente custava mais do que a primeira parcela da fiança do meu
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