O silêncio dentro do carro é quase insuportável. O motor ronca baixo, os faróis cortam a noite escura, mas nada consegue dissipar a tensão que paira sobre o ar. Dante, o guarda-costas de Islanne, dirige com firmeza, os olhos atentos à estrada, mas a respiração dele denuncia que também percebe o peso daquela viagem. No banco de trás, Jonathan e Islanne estão lado a lado, imóveis, como se qualquer movimento pudesse fazer a realidade se materializar com mais crueldade.
Jonathan aperta o celular entre os dedos, mas não tem coragem de discar nenhum número. A mente dele gira em círculos: ligar ou não ligar? Marta? Os gêmeos? Os pais? Cada hipótese é como um soco no estômago.
— Você não vai ligar? Islanne quebra o silêncio, a voz quase um sussurro.
Ele a encara de lado, os olhos marejados, mas firmes.
— Não sei… e se for pior do que eu imagino?
Ela engole seco. O mesmo medo a paralisa. Os pais haviam saído de carro há pouco mais de uma hora. A lembrança da última ligação que Jonathan recebe