Vivian sente a respiração pesar quando o relógio marca o horário combinado. Ela ajeita uma mecha de cabelo atrás da orelha e caminha até a janela da sala, observando a rua tranquila. O bairro parece suspenso em um silêncio preguiçoso de meio de tarde, apenas quebrado pelo canto insistente de um sabiá e pelo ronco distante de um carro passando distante. Segura com força o maço de chaves em sua mão, como se aquele pequeno objeto fosse capaz de lhe dar firmeza. Hoje não é apenas sobre tijolos e paredes, é sobre encerrar um capítulo que insiste em permanecer aberto.
Quando o carro da imobiliária estaciona diante da casa, o coração de Vivian bate mais rápido. Fernanda desce primeiro, sorridente, profissional até nos gestos mais simples. Ao seu lado, surge um homem alto, de postura impecável, pasta em mãos e uma expressão atenta, o corretor designado para acompanhar a vistoria.
— Boa tarde, Vivian. Fernanda a cumprimenta com carinho, abraçando-a de leve. — Obrigada por nos receber tão rápi