Vivian caminha pela rua com passos firmes, mas o coração lateja como um tambor. Cada batida parece lembrá-la de que o passado continua a persegui-la, mesmo agora, quando tenta se reinventar. Ela não conta a ninguém para onde vai, não se permite demonstrar fragilidade. Apenas respira fundo, ajeita os cabelos, e entra no banco como quem cruza um portal para uma nova vida. Algo, porém, a incomoda, uma sensação de que aquele encontro revelará mais do que ela imagina.
Logo na recepção, é conduzida até a sala reservada do gerente. O homem de terno impecável se levanta para recebê-la, sorridente, com a postura de quem sabe a importância de cada palavra em momentos delicados.
— Dona Vivian, bom dia. Ele estende a mão.
— Sou Cláudio, gerente da agência. Já aguardava a sua visita.
Ela se senta, tentando disfarçar a tensão que cresce em seu peito.
— Recebi seu contato… a voz dela vacila. — Falou em algo sobre Alan Moretti.
O gerente abre uma pasta sobre a mesa, ajeita os óculos e fala com calm