Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo coração pulsante da Faria Lima, onde o poder e o dinheiro ditam o ritmo, Nicholas é o nome que todos temem e admiram. CEO de uma das maiores gigantes da tecnologia em São Paulo, ele é conhecido por sua frieza implacável e por nunca misturar negócios com prazer. Até que Anne cruza o seu caminho. Inteligente, ambiciosa e recém-chegada à equipe, Anne não estava nos planos de Nicholas. O que deveria ser apenas uma relação profissional estritamente técnica transforma-se em um jogo perigoso de olhares roubados e toques proibidos nos corredores de vidro da empresa. Entre reuniões de alta tensão e noites de trabalho extra, a atração se torna incontrolável. Eles sabem que um deslize pode custar a carreira dela e a reputação dele. Mas, em um mundo de algoritmos e lógica, o coração de Nicholas e Anne encontrou uma variável impossível de ignorar. Vale a pena arriscar tudo por um amor que nasceu contra todas as regras?
Ler maisO reflexo no vidro leitoso da varanda do trigésimo andar não era apenas o de um homem, mas o de uma instituição. Nicholas ajustou o nó da gravata de seda italiana com uma precisão que beirava a obsessão, observando os primeiros clarões da manhã rasgarem o horizonte cinzento da Avenida Paulista. Para o mundo exterior, aquele prédio de aço e cristal era o epicentro da inovação tecnológica em São Paulo; para ele, era uma redoma de isolamento acústico e emocional. O silêncio do escritório antes das sete da manhã tinha um peso específico, uma densidade que ele aprendera a carregar nos ombros como se fosse parte de seu próprio esqueleto. Ser o CEO daquele império não era um cargo, era um diagnóstico de solidão voluntária.
Ele caminhou até sua mesa de carvalho escuro, onde três monitores já brilhavam com gráficos de desempenho, índices da bolsa e mensagens urgentes que chegavam de fusos horários distantes. Nicholas sabia que sua reputação o precedia: o executivo de gelo, o líder que não admitia falhas, o homem que transformava planilhas em armas. No entanto, enquanto deslizava os dedos pela superfície fria do teclado, uma sensação de vazio latente parecia vibrar sob a pele. Ele tinha quarenta anos e, embora possuísse o controle de milhares de empregos e milhões de reais, não conseguia se recordar da última vez em que tivera uma conversa que não envolvesse margens de lucro ou estratégias de expansão. A rotina era seu único refúgio seguro contra o caos da existência humana. O café era servido às sete e cinco, amargo e escaldante, colocado silenciosamente por um assistente que mal ousava encontrá-lo nos olhos. O medo que inspirava era a moeda de troca por uma eficiência impecável, mas o custo era uma distância intransponível. Nicholas sentou-se, sentindo o couro da cadeira envolver suas costas rígidas. A pressão nas têmporas era uma companhia constante, o tamborilar do progresso que exigia sempre mais. Ele revisou o relatório de segurança cibernética, cruzando dados com o faturamento do último trimestre, sentindo uma leve irritação ao notar uma falha latente no sistema de integração de dados do décimo andar. Detalhes. Ele vivia de detalhes que ninguém mais parecia notar. — Bom dia, senhor Nicholas — disse sua secretária, entrando na sala dez minutos depois, com o tom de voz equilibrado que ele exigia. — A reunião com o conselho foi adiantada para às 9:00. Eles querem explicações sobre a demora na implementação da nova infraestrutura de nuvem. — Mantenha-os na sala de espera — respondeu ele, sem desviar os olhos da tela. — Não dou explicações sobre processos técnicos a quem mal sabe ligar um computador. Avise ao TI que quero o diagnóstico de rede na minha mesa em uma hora. Se o sistema está lento, a empresa é que sangra. Sua voz era firme, sem arestas, o som de alguém acostumado a ser obedecido sem questionamentos. Quando ela saiu, o silêncio voltou a se instalar, mas agora parecia mais opressivo. Nicholas levantou-se e caminhou novamente até a janela. Lá embaixo, as formigas humanas começavam a congestionar as calçadas da Paulista, cada uma com seus dramas, amores e destinos. Ele sentia uma inveja irracional daquele movimento desordenado. Sua vida era um algoritmo perfeito, calculado para evitar imprevistos, mas algoritmos não sentem calor, não sentem arrepios, não anseiam por nada além do próximo bit de informação. Ele pensou em seu apartamento nos Jardins, um monumento ao design minimalista onde cada objeto ocupava um lugar estudado. Era um espaço de beleza estéril. À noite, o silêncio lá era ainda mais profundo do que no escritório, quebrado apenas pelo zumbido ocasional do ar-condicionado central. Nicholas percebeu que havia construído uma fortaleza tão eficiente que ele próprio se tornara o prisioneiro mais ilustre. A rigidez de sua postura era o que o mantinha de pé, mas também o que o impedia de se curvar para o que a vida pudesse oferecer fora dos portões da corporação. As horas seguintes foram uma sucessão de decisões rápidas e julgamentos cortantes. Nicholas atravessou o corredor de mármore em direção à sala de reuniões, sentindo o vácuo que se abria conforme os funcionários se encostavam nas paredes para deixá-lo passar. Ele era o sol negro daquele sistema solar; todos orbitavam ao seu redor, mas ninguém se aproximava o suficiente para ser queimado ou iluminado. Na mesa do conselho, ele desmembrou as críticas dos investidores com a frieza de um cirurgião. Ele não pedia paciência; ele exigia confiança baseada em resultados que ele, e apenas ele, conseguia visualizar a longo prazo. — Estamos em um momento de transição delicada — começou um dos sócios, um homem grisalho que tentava mascarar a insegurança com autoridade. — A tecnologia é volátil, Nicholas. Um erro de sistema agora pode custar a nossa credibilidade no mercado internacional. Nicholas inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos na mesa de vidro. O gesto foi sutil, mas todos na sala recuaram milímetros imperceptíveis. — A tecnologia não é volátil. As pessoas são — rebateu ele, a voz baixa carregada de uma intensidade magnética. — Sistemas são lógicos. Eles respondem a comandos claros. Se houver uma falha, encontraremos quem a causou e corrigiremos a causa. Não percamos tempo discutindo medos. Discutamos soluções. Ao final da reunião, ele estava exausto, embora sua face permanecesse uma máscara de mármore. O peso da responsabilidade era um companheiro antigo, mas naquele dia, algo parecia diferente. Havia uma impaciência roendo suas entranhas, uma sensação de que ele estava operando no limite de sua capacidade de fingir que a excelência era o suficiente para preencher os dias. Ele voltou para sua sala e fechou a porta, solicitando que não fosse interrompido. Queria apenas dez minutos de escuridão total, o luxo de não ser o pilar de uma corporação bilionária por breves instantes. Deitou a cabeça no encosto da poltrona e fechou os olhos. A imagem que surgiu não foi a de um gráfico de vendas, mas a de uma possibilidade vaga, uma fresta de luz em uma porta que ele acreditava ter trancado para sempre. Ele era Nicholas, o CEO implacável, o homem que não precisava de ninguém. Mas, enquanto o sol de São Paulo subia ao seu ponto mais alto, transformando a Avenida Paulista em um caldeirão de metal e asfalto, ele sentiu o primeiro tremor de uma rachadura em sua armadura. O sistema que ele tanto prezava, a infraestrutura perfeita de sua vida, estava prestes a enfrentar uma variável que nenhum algoritmo seria capaz de prever. A rotina continuou sua marcha implacável, mas a sensação de alerta não o abandonou. Ele revisou novamente os problemas técnicos do décimo andar, sentindo que a solução não viria de uma decisão de diretoria, mas de algum lugar profundo nos servidores da empresa, onde o silêncio das máquinas guardava segredos que ele ainda não dominava. Nicholas respirou fundo, ajustando uma última vez o nó da gravata, sentindo que os muros de sua fortaleza corporativa talvez não fossem tão indestrutíveis quanto ele imaginava, enquanto a engrenagem da rotina o preparava para um confronto entre a lógica fria do seu cargo e a imprevisibilidade de quem realmente mantém o código do mundo funcionando.O silêncio que se instalou na cobertura dos Jardins naquela noite era diferente de qualquer outro que Nicholas e eu já tivéssemos partilhado. Não era o silêncio cúmplice dos nossos encontros escondidos, nem o silêncio exausto após uma maratona de programação. Era um silêncio denso, carregado com as partículas invisíveis de um império que acabara de ser implodido por uma decisão ética.Nicholas estava parado diante da janela panorâmica, observando as luzes de São Paulo. Lá fora, o mundo ainda estava em choque. Eu sabia que, nos ecrãs de todos os smartphones lá baixo, as notificações não paravam: "Queda histórica das ações da TechTitan", "CEO Nicholas assume gravidez e destrói IA própria", "Anne Williams: De técnica de TI a pivô da maior crise tecnológica da década".Aproximei-me dele, sentindo o frio do chão de mármore contra os meus pés descalços. O meu corpo parecia pesar uma tonelada, não apenas pela gravidez recém-descoberta, mas pelo peso das escolhas que tínhamos feito no Bunker.
O silêncio que se seguiu à destruição do Éden era absoluto, um tipo de vácuo sonoro que eu nunca imaginei ser possível dentro de um centro de dados. O rugido constante dos ventiladores, o bip rítmico dos servidores e o zumbido da eletricidade tinham sido substituídos pelo som da minha própria respiração ofegante e pelo batimento cardíaco acelerado de Nicholas, que ainda me mantinha firme contra o seu peito. A escuridão no Bunker era quase sólida, quebrada apenas pela luz vermelha e giratória das lâmpadas de emergência, que pintavam as paredes de grafite com o tom de uma cena de crime.Nicholas afastou-se apenas o suficiente para olhar nos meus olhos. A luz vermelha tornava as suas feições ainda mais dramáticas, realçando o suor na sua testa e a determinação inabalável no seu olhar.— Acabou, Anne — disse ele, a voz rouca, como se tivesse acabado de gritar por horas. — O sistema está morto. O monstro que o Wagner criou foi purgado.— Não foi apenas a IA que morreu, Nicholas — respondi,
O ar dentro do "Bunker" — o centro de operações de segurança máxima da Titan-Intelligence — parecia ter uma densidade diferente do resto do edifício. Era um frio seco, mantido artificialmente a dez graus Celsius para preservar a integridade dos supercomputadores que processavam milhões de dados por segundo. O cheiro era uma mistura metálica de ozono e eletricidade estática. Enquanto descíamos pelo elevador privativo, Nicholas não largou a minha mão. O calor da palma dele era a única coisa que me mantinha ancorada à realidade, enquanto a minha mente já estava a navegar por linhas de código, tentando antecipar o desastre.O anúncio da minha gravidez, feito minutos antes na cobertura, ainda ecoava no meu peito como uma canção doce e assustadora. Mas o "Projeto Éden" era o ruído que ameaçava silenciar tudo.As portas do elevador abriram-se e fomos recebidos pelo brilho azulado de dezenas de ecrãs gigantes que cobriam as paredes de grafite. A equipa de elite da cibersegurança, homens e mul
Nicholas e Anne são agora o casal mais poderoso da tecnologia na América Latina. Mas o "algoritmo perfeito" é colocado à prova quando Anne descobre que está grávida, ao mesmo tempo que uma Inteligência Artificial autónoma, desenvolvida por um antigo braço direito de Nicholas, começa a tomar decisões éticas questionáveis que podem destruir a reputação da Titan-Intelligence. Eles terão de decidir se o legado que querem deixar é uma empresa bilionária ou uma família protegida das garras do mundo que construíram.—————————————————————————————O silêncio matinal na cobertura dos Jardins era interrompido apenas pelo som suave da máquina de café de última geração e pelo zumbido distante da cidade que nunca dormia. Nicholas estava na varanda, as mãos nos bolsos do roupão de seda, observando a neblina sobre o Parque do Ibirapuera. Para qualquer observador externo, ele era o retrato do sucesso absoluto. Mas, para Anne, que o observava da porta da cozinha, havia uma linha de tensão nos seus ombr
Dois anos depois...O sol de outono começava a despedir-se de São Paulo, pintando os arranha-céus de um dourado profundo que parecia refletir-se no vidro do meu novo escritório. Eu já não estava no subsolo, nem Nicholas estava sozinho no trigésimo andar. A nossa nova sede, situada num dos edifícios mais sustentáveis e modernos da Faria Lima, era o símbolo vivo da nossa "reconstrução". A placa na entrada não deixava margem para dúvidas: Titan-Intelligence Group.A fusão das nossas empresas não tinha sido apenas um movimento financeiro; tinha sido a maior declaração de amor e poder que o mercado brasileiro já testemunhara.Nicholas entrou na minha sala sem anunciar, como sempre fazia. Ele já não usava aquelas gravatas apertadas que pareciam sufocar a sua humanidade. Estava mais relaxado, com uma camisa de linho azul e um sorriso que agora aparecia com uma frequência que antes seria considerada um erro de programação.— Estás pronta para a conferência de imprensa? — perguntou ele, caminh
A sala de reuniões do trigésimo andar da TechTitan parecia mais fria do que o habitual. As paredes de vidro, que normalmente ofereciam uma vista deslumbrante de São Paulo, agora funcionavam como uma vitrina onde a nossa reputação estava exposta para o julgamento dos tubarões. O Dr. Arnaldo já estava sentado à cabeceira da mesa de mogno, com uma pasta de couro aberta à sua frente e uma expressão que misturava satisfação e desprezo. Ao seu redor, os membros do conselho sussurravam, os seus tablets exibindo as fotos que o Marcos tinha vazado e, logo ao lado, o nosso comunicado oficial.Nicholas entrou na sala sem bater. Ele não pediu licença; ele tomou o espaço. Eu caminhei ao seu lado, sentindo o peso de cada olhar reprovador, mas mantive o queixo erguido. Eu já não era a rapariga do TI que pedia permissão para respirar naquele andar.— Nicholas, isto é um suicídio corporativo — começou Arnaldo, sem sequer se levantar. — Tu não só admitiste uma relação com uma ex-subordinada, como o fiz





Último capítulo