O trigésimo andar exalava um perfume de couro italiano e sucesso financeiro, um contraste absoluto com o aroma de ozônio e café requentado do departamento de TI. Anne caminhava com passos decididos, mas discretos, sentindo a maleta de ferramentas pesar levemente em sua mão direita. Ela parou diante das portas duplas de jacarandá da sala da presidência. A secretária executiva, uma mulher de postura impecável chamada Clarice, apenas assentiu, indicando que a entrada de Anne já havia sido autorizada pelo sistema.— Ele está em uma conferência com Londres, mas o hardware está apitando. Entre em silêncio — sussurrou Clarice.Anne respirou fundo, empurrou a porta e entrou. A sala era vasta, com janelas do chão ao teto que emolduravam o horizonte de São Paulo como uma pintura viva. No centro, atrás de uma mesa de vidro maciço que parecia flutuar, estava Nicholas. Ele estava de pé, de costas para a porta, gesticulando enquanto falava em um inglês britânico perfeito e autoritário.Mesmo de cos
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