A realidade pós-evento de gala consolidou-se em uma rotina de duplicidade que exigia tanto nervos de aço quanto uma precisão técnica impecável. O relacionamento entre o CO e a subordinada de TI não era mais uma possibilidade teórica ou um flerte emoldurado por metáforas de software; era uma entidade viva, pulsante e perigosamente oculta sob o verniz da normalidade corporativa. Para Anne, entrar no prédio da Faria Lima todas as manhãs tornara-se um exercício de atuação digno dos melhores palcos. Ela mantinha a expressão neutra, os olhos focados nos terminais de dados, enquanto sua pele ainda guardava a memória térmica das mãos de Nicholas.
O sigilo injetava uma dose de adrenalina que tornava cada interação trivial um jogo de alto risco. Durante as reuniões de diretoria, onde Anne era convocada para apresentar relatórios de cibersegurança, o ar parecia saturado de subtextos. Ela falava sobre "ataques de força bruta" e "protocolos de autenticação em duas etapas", enquanto Nicholas, senta