Mundo de ficçãoIniciar sessão
Maya narrando
O cheiro de café fresco e baunilha é, sem dúvida, a minha parte favorita do dia. Aos 21 anos, sinto que a vida finalmente começou a sorrir para mim. Trabalhar na Páginas de mel não é apenas um emprego para pagar as contas; é o meu lugar de paz. Prendo meu cabelo em um coque bem alto, ajusto meu avental rosa e me olho no espelho atrás do balcão. Minha pele retinta parece brilhar sob as luzes quentes da cafeteria. Eu gosto do que vejo e da forma como consigo fazer as pessoas sorrirem apenas retribuindo a gentileza que recebo. — Mais um dia brilhante, não é, Seu John ? — grito, acenando para o senhorzinho que limpa a calçada vizinha através da vitrine. Eu sou assim. Minha mãe sempre disse que meu coração é "doce demais para esse mundo", mas eu prefiro acreditar que a doçura é um superpoder. Se eu espalhar luz, o mundo não pode ser tão escuro assim, certo? Vou para trás do balcão e começo a organizar os muffins de mirtilo. Estou cantarolando uma música qualquer quando o sino da porta toca, anunciando uma nova presença. Eu não levanto os olhos imediatamente, terminando de ajeitar a vitrine de vidro. — Bom dia! Em que posso ajud... — As palavras morrem na minha garganta assim que eu olho para cima. Meu coração dá um solavanco violento contra o peito. Parado ali, me encarando de uma forma que me faz perder o fôlego, está um homem que parece ter saído de uma capa de revista de luxo, mas com algo perigosamente diferente. Ele é alto, muito alto, e veste um terno sob medida que grita poder e dinheiro. Seus cabelos loiros são perfeitamente alinhados, e os olhos dele... meu Deus, são de um azul tão claro e profundo que chegam a ser gélidos. Ele não sorri. Ele apenas me observa com uma intensidade esmagadora, como se estivesse me despindo a alma. Um arrepio desconhecido corta a minha espinha, fazendo os pelos dos meus braços se arrepiarem instantaneamente. Arthur narrando Odeio atrasos. Detesto o barulho infernal da cidade e me irrita ainda mais o fato de o meu motorista ter sido obrigado a parar nesta rua barulhenta por causa de um bloqueio no trânsito. Eu estava prestes a pegar o celular para exigir uma rota alternativa, até que a vi pela janela fumada do carro. Ela estava sorrindo para um velho na calçada. Um sorriso tão puro e genuíno que parecia carregar todo o calor do sol que sempre faltou na minha vida fria. Eu não consegui desviar o olhar. A pele dela, escura, rica e impecável, brilhava contra o avental claro. A maneira como ela se movia — com uma leveza quase angelical, alheia ao caos do mundo lá fora — causou um nó violento no meu estômago. "Senti meu corpo reagir de imediato, o sangue fervendo sob o tecido caro da minha calça antes mesmo que eu pudesse processar o que estava acontecendo. Aquela visão inocente acendeu em mim um desejo bruto, carnal e perigoso." Eu precisei entrar. Eu precisei reivindicar a proximidade daquela criatura. Assim que passo pela porta, o cheiro doce de açúcar e baunilha invade os meus pulmões, mas é o olhar assustado dela que me paralisa. Ela é ainda mais deslumbrante de perto. Seus olhos são grandes, castanhos e transmitem uma inocência que me irrita e me fascina na mesma proporção. Quero corromper aquela pureza, mas também quero escondê-la do resto do mundo. Dou dois passos firmes em direção ao balcão, a minha ereção pesada e evidente marcando o terno, mas não me importo. O meu foco está inteiramente nela. — Um café preto — eu digo. A minha voz sai mais rouca e tensa do que eu planejava, arrastada pelo desejo que me consome. — E o seu nome. Ela pisca, sobressaltada com a minha crueza. Vejo um leve rubor subir pelas suas bochechas escuras, os seus dedos pequenos apertando o tecido do avental com nervosismo. É a coisa mais adorável e excitante que já presenciei. — Meu nome é Maya — ela responde, a voz suave como veludo, embora ligeiramente trêmula. — E o café preto sai em um minuto, senhor...? — Arthur — respondo, sem desviar os olhos por um segundo sequer dos lábios cheios dela. — E eu não tenho pressa, Maya. Na verdade, acho que vou ficar aqui por muito tempo. Eu não estou mentindo. Enquanto a observo virar de costas para pegar a xícara, admirando a curvatura perfeita do seu quadril, uma certeza obsessiva instala-se na minha mente: eu a encontrei. E agora que a minha escuridão tocou a luz dela, não há a menor chance de eu deixá-la ir. Ela já é minha.






