Mundo de ficçãoIniciar sessãoMaya narrando
Passei o dia inteiro com um nó doloroso no estômago. Eu mal conseguia focar-me nos pedidos dos clientes na cafeteria. A ameaça velada de Arthur de que subiria ao meu apartamento e contaria tudo à minha mãe se eu não aparecesse foi o suficiente para me encurralar num beco sem saída. — Filha, por que você está tão nervosa? É só um jantar com aquele rapaz simpático — disse minha mãe, sorrindo com ternura enquanto me ajudava a fechar o zíper do meu vestido. Escolhi um vestido verde-esmeralda que contrastava perfeitamente com o tom rico e retinto da minha pele. Eu queria parecer poderosa, altiva, e não uma vítima indefesa. Se eu ia entrar na cova dos leões, que fosse de cabeça erguida. — Ele não é apenas "simpático", mãe. Ele é... insistente — respondi, engolindo em seco para esconder o tremor nas minhas mãos. Encerrei o assunto e respirei fundo antes de sair. Do lado de fora, os faróis do carro esportivo de Arthur cortavam a penumbra da rua. Assim que me aproximei, a porta se abriu e ele desceu. Arthur travou os olhos em mim, estático por um segundo inteiro, enquanto seu olhar escuro descia lentamente pelo meu vestido verde-esmeralda. Uma intensidade perigosa brilhou em suas pupilas. — Você está estonteante, Maya — ele murmurou, a voz grave vibrando com uma possessividade que me fez arrepiar. Ele deu um passo à frente, quebrando qualquer distância entre nós, e segurou a minha mão para me ajudar a subir no carro. — Eu não seria capaz de esperar mais um segundo. — Achei que homens como você fossem mais pacientes — respondi, tentando manter a voz firme enquanto entrava no veículo de luxo. Arthur deu um sorriso de canto, fechou a porta e contornou o carro com passos determinados. Ao entrar no banco do motorista, o perfume marcante dele tomou conta do espaço fechado. Antes de dar a partida no motor potente, ele se inclinou na minha direção, aproximando-se o suficiente para que eu sentisse o seu calor. — Sou paciente para conseguir o que quero, Maya. Mas ter você aqui, tão perto, testa todos os meus limites — ele sussurrou, olhando diretamente nos meus lábios antes de ligar o carro e acelerar pelas ruas. O trajeto foi curto, embalado pelo ronco abafado do motor e pela tensão silenciosa que crescia entre nós. Quando o carro parou finalmente em frente à grande mansão , Arthur deu a volta pelo capô e abriu a porta para mim. Caminhei lado a lado com ele. Arthur colocou a mão espalmada na curva da minha cintura — um toque possessivo e quente que atravessou o tecido do verde-esmeralda — e guiou-me para dentro do salão principal. Assim que cruzamos os grandes portões de vidro da entrada, vi a família reunida à nossa espera, e uma onda de ansiedade dominou-me. Caminhei lado a lado com ele. Arthur colocou a mão espalmada na curva da minha cintura — um toque possessivo e quente que atravessou o tecido do verde-esmeralda — e guiou-me para dentro do salão principal. Assim que cruzámos os grandes portões de vidro da entrada, vi a família reunida à nossa espera, e uma onda de ansiedade dominou-me. À mesa de jantar, estavam cinco pessoas. No centro, o patriarca, um homem de postura imponente com os mesmos olhos azuis de Arthur, e ao lado dele, uma mulher de uma beleza madura e incrivelmente elegante. E então, os três irmãos de Arthur. Todos eles, sem exceção, partilhavam aquela mesma presença magnética e protetora que parecia genética dos Valmont. Arthur narrando Conduzi o meu desportivo de volta a casa sentindo uma satisfação brutal no peito. Maya estava sentada ao meu lado, linda e silenciosa. O vestido verde-esmeralda criava o contraste mais espetacular que já vi com a sua pele negra e retinta, e a forma como o seu cabelo crespo estava perfeitamente moldado fazia-a parecer uma rainha pronta para o combate. Assim que estacionei, fiz questão de abrir a porta para ela. Ela tentou manter a distância, recusando a minha mão, mas ao entrarmos na mansão, espalmei a minha mão na sua cintura, trazendo-a para perto do meu corpo. Eu queria que a minha família a visse exatamente assim: ao meu lado. Minha. Meus irmãos — Klaus, Victor e o mais novo, Theo — pararam de falar instantaneamente assim que cruzámos o salão. Os olhos de todos na mesa fixaram-se nela, cativados por aquela presença monumental. Mantive o aperto firme e caloroso na sua cintura, guiando-a até à cabeceira e quebrando o silêncio da sala com orgulho: — Pai, mãe, irmãos... esta é a Maya — anunciei. O meu pai levantou-se imediatamente com um sorriso largo, sincero e acolhedor. Para além da nossa riqueza, somos pessoas simples que valorizam o que é real, e o meu pai reconheceu a dignidade e a força de Maya no mesmo segundo. — Seja muito bem-vinda à nossa casa, Maya! — disse meu pai, com a sua voz profunda e calorosa, estendendo-me a mão para ela com imenso respeito. — O Arthur não parou de falar de você esta semana. Finalmente conhecemos a mulher com esse fogo e essa postura majestosa no olhar. — Ela é absolutamente encantadora — minha mãe completou, levantando-se com um sorriso doce e aproximando-se para dar um abraço afetuoso e apertado em Maya, quebrando toda a tensão do ambiente. — Arthur, você tem um gosto impecável. É uma alegria ter você aqui connosco esta noite, querida. Sente-se aqui ao meu lado, por favor. Meus três irmãos levantaram-se em sincronia, exibindo a nossa habitual altura de família, mas com expressões extremamente simpáticas e acolhedoras. Klaus deu um passo à frente com elegância e fez um aceno cortês. — É um prazer genuíno, Maya — disse Klaus, sorrindo de forma descontraída. — O Arthur realmente não exagerou em nada. Você tem um brilho único. Mas deixo-te um aviso amigável: nesta família, nós somos muito unidos e cuidamos muito bem daqueles que entram para o nosso círculo. Olhei para a Maya enquanto nos sentávamos e notei que a sua postura defensiva começava a ceder espaço a uma leve surpresa. Ela estava a perceber que, embora eu a tivesse chantageado para vir, a minha família a estava a receber de braços abertos, com um amor e uma hospitalidade legítimos. Eles não a viam como uma intrusa; a beleza, o orgulho e a simplicidade dela já os tinham conquistado por completo. O jantar foi servido num ambiente cheio de risos, conversas sobre o dia a dia e histórias de infância que a minha mãe fazia questão de contar, mostrando que, apesar de todo o dinheiro, os Valmont eram pessoas humildes que amavam a simplicidade de estar juntos. No entanto, para Maya, a minha proximidade física ainda era avassaladora. — Eu quero ir para casa — ela sussurrou para mim por baixo da mesa, a sua voz vibrando com uma mistura de timidez e irritação enquanto os meus dedos roçavam discretamente no seu joelho. Eu me inclinei ligeiramente, encostando o meu ombro no dela, deliciando-me com a proximidade e com o facto de a minha família já a amar. — Você está em casa, Maya — respondi em tom baixo, com um meio sorriso cúmplice. — Você só ainda não se deu conta disso.






