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Capítulo 5: Chantagem e Convites Indigestos

Maya narrando

Eu sinto que vou explodir a qualquer momento. Ver Arthur sentado no sofá da minha mãe, conversando calmamente e agindo como se fosse um velho amigo da família, faz meu sangue ferver nas veias. A cada sorriso educado que ele lança para o Jorge, ou a cada elogio sincero que faz à dedicação da minha mãe com a casa, sinto que ele está fincando os pés no meu porto seguro.

Ele está marcando território, e o pior é que ninguém mais percebe. Eu não aguento mais essa tortura psicológica.

— Arthur, você pode me ajudar com uma coisa aqui fora no corredor? — pergunto, interrompendo a conversa com a voz mais controlada e artificial que consigo fingir. — É rapidinho.

Minha mãe sorri de canto, trocando um olhar cúmplice com o Jorge, claramente achando que se trata de um momento de flerte entre nós. Arthur levanta-se com uma elegância natural, ajeita o terno cinza e faz um aceno cortês para os dois antes de me seguir.

Eu o guio para fora e, assim que a pesada porta de madeira do apartamento se fecha, eu explodo. Volto-me para ele e o empurro pelo peito com toda a minha força. Ele mal se move; o seu corpo é firme como uma rocha.

— O que você pensa que está fazendo?! — sibilei, mantendo a voz o mais baixa possível para que o som não atravesse a porta. — Você não tem o direito de vir aqui! Eu menti que não te conhecia para você entender o recado e ir embora, e você faz o quê? Entra, aceita café e finge ser um santo? Você é louco?

Arthur não parece nem um pouco abalado com a minha fúria. Pelo contrário, ele dá um passo à frente, obrigando-me a recuar contra a parede do corredor. Ele se inclina, diminuindo a distância entre nós até que eu sinta o calor do seu corpo e o perfume amadeirado que me estonteia.

— Eu disse que não aceitava um "não", Maya. Você me ignorou na cafeteria hoje de manhã, então eu vim garantir que você me notasse. E, pelo visto, funcionou perfeitamente.

— Vá embora. Agora! — apontei o dedo trêmulo em direção ao elevador.

Arthur dá um meio sorriso, e aquele azul dos seus olhos parece congelar a minha alma, ficando ainda mais profundo e sombrio.

— Eu vou embora. Mas com uma condição.

— Eu não vou te dar nada, Arthur! Não tenho nenhuma obrigação com você!

— Amanhã à noite — ele diz, ignorando completamente o meu protesto com uma calma assustadora. — Um jantar na minha casa. Meus pais estarão lá, e meus três irmãos também. É um jantar de família oficial. Se você aceitar e for, eu saio daqui agora e deixo sua mãe e o Jorge em paz. Caso contrário... eu acho que vou aceitar o convite da dona Julian para jantar aqui mesmo. E quem sabe, no meio da conversa, eu não conto para ela como nós realmente nos conhecemos e o quanto você me fascina?

Eu prendi o fôlego, sentindo o chão fugir debaixo dos meus pés. Ele é um monstro. Um monstro lindo, calculista e manipulador. Ele sabe perfeitamente que eu faria qualquer coisa para não preocupar minha mãe com a história de um homem poderoso e obcecado me cercando.

— Por que eu? — perguntei, sentindo minha resistência vacilar diante daquela cerca invisível que ele construiu ao meu redor. — Por que me levar para conhecer sua família se eu já disse que não te amo?

Arthur narrando

Ela está furiosa. As bochechas da sua pele retinta estão coradas pelo calor da raiva, os olhos castanhos brilham como brasas vivas, e ela nunca esteve tão divinamente bela. Eu adoro quando ela me enfrenta com essa altivez; torna a rendição final muito mais saborosa. Ela é uma rainha tentando proteger o seu pequeno reino, sem perceber que o imperador já tomou as fronteiras.

— Porque eu quero que eles vejam o que é meu — respondi, e a minha própria voz saiu mais sombria e possessiva do que eu pretendia.

Levo a minha mão ao rosto dela, querendo sentir a textura macia da sua pele, mas ela desvia o rosto bruscamente. Eu não me importo. Em breve, ela não vai mais desviar. Em breve, ela vai implorar pelo meu toque.

— Meus irmãos precisam entender, desde o primeiro momento, que você está totalmente fora do alcance de qualquer outro homem na Terra. E meus pais... bom, eles precisam conhecer a mulher que, mais cedo ou mais tarde, vai carregar o sobrenome Valmont.

— Você está delirando, Arthur! Você perdeu o juízo! — ela sussurra, chocada com a escala das minhas palavras.

— Amanhã, às oito da noite. Eu mesmo virei buscar você no meu carro. Se você não estiver pronta e esperando lá embaixo, eu subo e busco você na sua sala... e a sua mãe pode vir junto, se você preferir que a sua entrada no meu mundo seja um evento público.

Eu me afasto lentamente, apreciando o conflito torturante estampado no rosto dela. Ela me odeia agora, eu sei disso. Consigo sentir a repulsa misturada com a atração que ela tenta sufocar. Mas o ódio é uma emoção intensa, muito próxima da paixão. E eu tenho todo o tempo do mundo, e todos os recursos necessários, para transformar um no outro.

— Boa noite, Maya — digo, ajeitando as mangas do meu terno cinza com um gesto simples e impecável.

Caminho em direção ao elevador com passos firmes, sem olhar para trás uma única vez. Eu já venci essa rodada e nós dois sabemos disso. Ela vai estar pronta às oito. E quando ela cruzar o limiar da minha casa, ela finalmente vai entender que o mundo dela acaba de encolher... até que não sobre mais nada além de mim.

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