Maya narrando Já se passou uma semana desde que "o homem dos olhos de gelo" apareceu pela primeira vez na cafeteria. E, desde então, ele não falhou um único dia. Arthur — ele fez questão de que eu o chamasse pelo nome, sem o "senhor" — senta-se sempre na mesma mesa, no canto, onde tem uma visão privilegiada do balcão. Sinto o peso do seu olhar em mim o tempo todo. É uma sensação estranha: por um lado, meu corpo reage à sua presença com um frio na barriga que eu nunca senti; por outro, minha intuição grita que há algo de perigoso na forma como ele me observa. Ajeito o volume do meu cabelo crespo, orgulhosa da coroa que ele forma ao redor do meu rosto, e respiro fundo antes de caminhar até à mesa dele. — Aqui está o seu café, Arthur. Sem açúcar, como sempre — digo, colocando a xícara na mesa com um sorriso educado, mas estritamente profissional. — Obrigado, Maya — ele diz. Os seus dedos longos e claros roçam propositalmente nos meus quando ele puxa a xícara para si. O toque é como
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