Mundo de ficçãoIniciar sessãoMarina Duarte achava que era apenas mais uma assistente invisível na Verdan Group. Rafael, o CEO implacável, precisava de uma esposa de fachada para garantir seu lugar na empresa e lidar com as pressões familiares. Um contrato de um ano. Uma mentira perfeita. Mas eles esqueceram de colocar uma cláusula para o coração. Será que um amor nascido de um acordo pode se tornar real?"
Ler maisMarina Duarte sempre acreditou que a vida recompensava quem trabalhava com honestidade. Aos vinte e sete anos, ela ainda repetia essa frase em silêncio todas as manhãs, como se fosse uma oração curta antes de entrar no prédio espelhado da Verdan Group, uma das maiores empresas de tecnologia e investimentos do país.
Ela não ocupava um cargo de destaque. Era assistente administrativa no setor de contratos, cercada por planilhas, documentos, prazos e pessoas que quase nunca percebiam sua presença. Ainda assim, Marina fazia tudo com cuidado. Conferia nomes, datas e cláusulas como quem protegia algo precioso. Naquela segunda-feira, porém, o cuidado não foi suficiente para impedir o desastre. — Marina, a reunião do Conselho foi antecipada — disse Paula, sua supervisora, entrando apressada na sala. — Preciso do dossiê do projeto Aurora agora. Marina sentiu o rosto esquentar. — Agora? Mas a revisão final seria às onze. — Era. Agora é em vinte minutos. O projeto Aurora era o maior contrato da empresa naquele ano. Um erro, uma página faltando, uma assinatura fora do lugar, e todo o setor seria responsabilizado. Marina abriu a pasta no computador com os dedos trêmulos. Conferiu cada arquivo. Tudo estava ali, exceto o anexo financeiro final. Seu coração falhou uma batida. — Paula… o anexo ainda está com o jurídico. A supervisora fechou os olhos, como se segurasse uma explosão. — Então vá buscar. E reze para chegar antes do senhor Montenegro perguntar por ele. O senhor Montenegro. Mesmo quem nunca o tinha encontrado pessoalmente conhecia esse nome. Rafael Montenegro, CEO da Verdan Group, era jovem para o cargo, rico demais para parecer real e famoso por não perdoar incompetência. Diziam que ele identificava uma falha em segundos e que sua voz baixa era mais assustadora do que qualquer grito. Marina pegou o crachá, subiu dois andares correndo e entrou no departamento jurídico quase sem fôlego. Depois de uma breve discussão com um advogado irritado, conseguiu o anexo impresso e assinado. Quando voltou ao elevador, as portas se abriram antes que ela apertasse o botão. Dentro estava Rafael Montenegro. Marina o reconheceu de imediato. Terno escuro, postura impecável, olhar firme. Ele não parecia apenas ocupar espaço; parecia comandá-lo. — Senhor Montenegro — ela disse, tentando não parecer assustada. Ele olhou para a pasta em seus braços. — Projeto Aurora? — Sim. O anexo financeiro. — Está atrasado. Não era uma pergunta. Era uma sentença. — Eu sei. O jurídico reteve a assinatura até agora, mas o documento está correto. Rafael ergueu levemente uma sobrancelha. — Você conferiu? — Três vezes. — Então venha comigo. Marina entrou no elevador ao lado dele, com a sensação de que o ar havia diminuído. Quando chegaram ao andar da diretoria, Rafael caminhou até a sala de reuniões sem olhar para trás. Ela o acompanhou, entregou a pasta sobre a mesa e ficou de pé, perto da porta, esperando ser dispensada. Mas não foi. Durante a reunião, um dos conselheiros encontrou uma divergência em uma previsão de pagamento. A sala ficou em silêncio. Paula empalideceu. O diretor financeiro tentou explicar, mas se confundiu. Marina, sem pensar, deu um passo à frente. — Com licença — disse ela. Todos se voltaram para ela. Rafael a observou sem expressão. — Fale. Marina abriu o anexo na página certa. — A divergência não está no contrato. Está no resumo executivo. O contrato considera o pagamento em quatro parcelas, como definido na última revisão. O resumo ainda mostra a versão anterior, com três parcelas. A cláusula correta é a 8.2. O conselheiro leu o trecho. O diretor financeiro ficou calado. Rafael não sorriu. Apenas fechou a pasta. — Corrijam o resumo. A reunião continua. Duas horas depois, Marina voltou ao seu andar com as pernas fracas. Achou que receberia uma advertência por ter falado sem autorização. Em vez disso, encontrou um e-mail da diretoria em sua caixa de entrada. Assunto: Compareça ao gabinete do CEO às 18h. Ela leu três vezes. Às seis em ponto, Marina entrou na sala de Rafael Montenegro. O gabinete era amplo, silencioso e elegante, com uma vista imensa da cidade. Ele estava de pé junto à janela, sem o paletó, as mangas da camisa dobradas até os antebraços. — Sente-se, senhorita Duarte. Ela obedeceu. — O que aconteceu hoje na reunião foi raro — disse ele. — Você identificou um erro que pessoas muito mais bem pagas do que você deixaram passar. — Eu apenas conhecia o documento. — Exatamente. Pessoas competentes costumam dizer “apenas”. Marina não soube responder. Rafael abriu uma pasta sobre a mesa. — Tenho uma proposta para você. — Uma promoção? — Não exatamente. O modo como ele disse aquilo fez Marina endireitar a postura. — Minha família controla parte significativa da Verdan Group. Meu avô, fundador da empresa, está doente. Ele pretende transferir formalmente suas ações nos próximos meses, mas impôs uma condição pessoal: deseja me ver casado antes de assinar a nova estrutura de sucessão. Marina piscou, certa de que havia entendido mal. — Desculpe, o senhor disse casado? — Disse. — E o que isso tem a ver comigo? Rafael empurrou a pasta em sua direção. — Preciso de uma esposa por contrato. Uma união civil discreta, com duração de um ano. Aparências públicas controladas, confidencialidade absoluta e compensação financeira suficiente para mudar a sua vida. Marina ficou imóvel. A proposta era tão absurda que, por alguns segundos, ela não conseguiu sentir indignação. Apenas surpresa. — O senhor está me oferecendo dinheiro para fingir ser sua esposa? — Estou oferecendo um acordo. Você receberá uma quantia justa, proteção jurídica e uma posição melhor na empresa ao término do contrato, se desejar continuar. — E por que eu? — Porque você é discreta, inteligente, não pertence ao círculo social que tentaria usar isso contra mim e, hoje, demonstrou coragem sob pressão. Marina se levantou. — Senhor Montenegro, com todo respeito, isso é impossível. — Nada é impossível. Algumas coisas apenas têm preço. Ela sentiu a frase como uma ofensa. — Pessoas não deveriam ter preço. Pela primeira vez, algo mudou no rosto dele. Foi quase nada, mas Marina viu. — Concordo — disse Rafael. — Mas dívidas têm. O sangue sumiu do rosto dela. Ele sabia. A dívida do tratamento de sua mãe, acumulada em meses de hospital, ameaçava tirar o pequeno apartamento onde Marina morava com ela. Era um assunto que ela mantinha escondido, mas empresas como a Verdan tinham meios de descobrir quase tudo. — Isso é chantagem? — perguntou ela, a voz baixa. — Não. É uma saída. Você pode recusar e sair daqui exatamente como entrou. Marina olhou para a pasta. O contrato parecia grosso demais para uma loucura tão simples. — E se eu aceitar? Rafael sustentou seu olhar. — Então, a partir de amanhã, começaremos a construir uma mentira convincente. Marina deveria ter ido embora. Mas pensou na mãe, nas ligações do banco, nas noites sem dormir e na forma como a esperança, às vezes, surgia vestida de erro. — Quero ler cada cláusula — disse ela. Rafael inclinou a cabeça. — Eu esperava que dissesse isso. Naquela noite, Marina deixou o prédio com a pasta presa contra o peito e a sensação de que sua vida havia cruzado uma porta sem volta. E, embora ainda não soubesse, o contrato que deveria comprar um ano de aparências começaria a cobrar dela algo que dinheiro nenhum poderia devolver.A revelação veio na manhã seguinte.Não por Beatriz diretamente, mas por meio de um portal financeiro conhecido por publicar escândalos empresariais. A manchete era cruel:“Contrato de casamento pode definir sucessão bilionária na Verdan Group.”A matéria trazia trechos do acordo, valores, datas e insinuações sobre a manipulação do avô doente. O nome de Marina aparecia como peça central de uma fraude emocional. Rafael era descrito como calculista. Augusto, como vítima.O mundo inteiro parecia ter uma opinião.Marina desligou o celular depois da décima ligação perdida. Sua mãe, felizmente, estava em repouso e ainda não havia visto a notícia. Mas isso duraria pouco.Rafael apareceu no apartamento dela antes das oito.— Precisamos ir para um lugar seguro — disse ele.— Seguro para quem? Para mim ou para a empresa?A pergunta o atingiu.— Para você.— Agora todos sabem. Minha mãe vai saber. Seus acionistas vão saber. Seu avô…— Eu falarei com ele.— Você continua achando que pode organiza
Rafael iniciou uma investigação interna sem consultar Marina.Ela descobriu por acaso, ao ver no escritório dele uma lista com nomes de funcionários, horários de acesso e registros de câmeras. No topo da página, estava escrito: "vazamento — material contra Marina".— Você prometeu me informar antes de tomar decisões que me envolvessem — disse ela.Rafael fechou o arquivo lentamente.— Eu pretendia contar quando tivesse algo concreto.— Isso é exatamente o que pessoas controladoras dizem quando querem parecer razoáveis.Ele respirou fundo.— Marina, alguém está tentando destruir você.— E você acha que isso lhe dá o direito de decidir tudo sozinho?— Acho que me dá o dever de agir.— Agir comigo, não por mim.Rafael não respondeu. A tensão entre eles era diferente das primeiras discussões. Antes, havia distância. Agora, havia mágoa.Nos dias seguintes, Marina voltou a dormir no apartamento da mãe, usando a desculpa de acompanhá-la após
O casamento de Rafael e Marina tornou-se assunto de revistas, portais e conversas discretas em restaurantes caros. Alguns chamavam a história de conto de fadas moderno. Outros insinuavam interesse, ambição ou escândalo escondido. Marina aprendeu a não ler comentários. Aprendeu também que a vida ao lado de Rafael era feita de portas. Algumas ele abria com educação. Outras mantinha trancadas com uma frieza quase perfeita. No trabalho, o projeto Aurora avançava. Marina conquistava espaço pela competência, mas cada vitória vinha acompanhada de suspeitas. Se falava bem em uma reunião, era porque Rafael a favorecia. Se apresentava uma boa ideia, alguém dizia que certamente recebera ajuda. Se cometesse um erro, porém, seria a prova de que nunca deveria estar ali. Ela precisava ser duas vezes melhor para ser considerada suficiente. Rafael percebia, mas Marina não permitia interferências. — Você não precisa enfrentar tudo sozinha — disse ele certa noite, ao encontrá-la revisando relatórios n
O casamento aconteceu duas semanas depois, em uma cerimônia civil pequena e silenciosa. Não houve igreja, flores em excesso nem convidados emocionados. Apenas um juiz, duas testemunhas, alguns documentos e fotógrafos posicionados do lado de fora, prontos para transformar um acordo em notícia. Marina usou um vestido branco simples. Rafael vestiu um terno claro, diferente dos escuros que costumava usar na empresa. Ele parecia menos inalcançável, mas não menos atento. Quando o juiz perguntou se ambos aceitavam aquela união, Marina sentiu a garganta secar. — Sim — respondeu Rafael, firme. Todos olharam para ela. A palavra era pequena. Cabia em qualquer boca. Mas, naquele instante, parecia carregar o peso de uma vida inteira. — Sim — disse Marina. A assinatura veio depois. Seu nome ao lado do dele: Marina Duarte Montenegro. Ela olhou para a caneta em sua mão e pensou que nunca imaginara ver seu futuro alterado por tinta sobre papel. Do lado de fora do cartório, os flashes com





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