O equilíbrio não se quebrou de uma vez.
Ele começou a rachar em detalhes pequenos demais para serem ignorados, mas grandes o suficiente para deslocar tudo do lugar.
Foi numa tarde comum. Daquelas que não carregam presságios. Helena organizava a rotina de Matteo, ajudando-o com uma atividade da escola, quando o interfone da casa soou. Um som seco, fora de hora.
Ela estranhou. Não esperavam visitas.
— Eu atendo — disse Adrian, surgindo no corredor.
Helena assentiu, mas algo nela se manteve alerta. Talvez intuição. Talvez cansaço acumulado. Continuou com Matteo, mas a atenção se dividiu.
Minutos depois, Adrian voltou à sala com o telefone ainda na mão. O rosto estava diferente. Não alarmado. Concentrado demais.
— Helena — chamou, com voz baixa. — Pode vir um instante?
Ela pediu para Matteo continuar desenhando e seguiu até o escritório. A porta fechou atrás deles.
— O que houve? — perguntou.
Adrian respirou fundo.
— Recebi uma ligação — disse. — Do colégio onde seu filho estuda.
Helena s