O aeroporto sempre teve um efeito estranho sobre Helena.
Não era apenas o movimento constante ou os anúncios impessoais. Era a sensação de transição permanente. Pessoas indo e vindo, histórias que se cruzavam sem nunca se tocar de verdade. Ali, tudo parecia provisório. Inclusive ela.
Helena caminhava com a mala pequena ao lado, o corpo presente, mas a mente ainda presa à casa que deixou para trás poucas horas antes. À imagem de Matteo dormindo. Ao silêncio controlado de Adrian observando sem interferir. À forma como ele dissera “vai” sem fazer parecer abandono.
No portão de embarque, sentou-se e respirou fundo. O telefone vibrava com mensagens da mãe, tranquilizadoras. O filho estava bem. Seguro. Perguntara por ela, mas aceitou a explicação com a naturalidade que só crianças treinadas pela ausência desenvolvem.
Aquilo doía.
Quando o avião decolou, Helena fechou os olhos. Não dormiu. Pensou.
Pensou no quanto havia se permitido ficar. No quanto começou a baixar a guarda sem perceber. No