Helena passou o dia inteiro tentando ignorar o próprio corpo.
Não por desconforto físico, mas porque ele parecia saber coisas que a mente ainda se recusava a admitir. O toque do dia anterior não tinha sido invasivo, nem impróprio. Ainda assim, permanecia ali, vivo demais para ser esquecido. Não como lembrança, mas como sensação.
Era isso que a assustava.
Ela sempre confiava mais no pensamento do que no impulso. Sobreviver exigia isso. Aprendeu cedo que desejo sem cálculo podia custar caro. E agora, pela primeira vez em muito tempo, sentia o corpo inclinar-se antes da decisão.
Enquanto organizava a rotina de Matteo, percebeu-se mais silenciosa. Mais cautelosa. Como se cada gesto precisasse ser avaliado duas vezes, não por risco externo, mas pelo que despertava dentro dela.
Do outro lado da casa, Adrian enfrentava um conflito semelhante.
Ele não se distraía com números naquela manhã. Nenhuma planilha prendia sua atenção. O foco escapava sempre para o mesmo ponto: a lembrança da mão dela