Adrian sempre acreditou que sentimentos eram administráveis.
Não no sentido romântico da palavra, mas como qualquer outra variável da vida: algo que podia ser contido, reorganizado, empurrado para depois. Ele aprendeu cedo que emoções não resolvidas custavam caro. Decisões tomadas no impulso criavam rachaduras difíceis de reparar. E ele não construíra tudo o que tinha sendo descuidado.
Mas Helena não cabia em nenhuma dessas categorias.
Naquela manhã, Adrian a observou da porta do escritório, sem que ela percebesse. Helena organizava a agenda de Matteo com a governanta, alinhando horários, compromissos, pequenos detalhes que davam forma ao dia. Falava baixo, com clareza, sem impor nada. O tipo de presença que não exigia atenção, mas a recebia naturalmente.
Ele fechou a porta devagar.
Não queria ser visto observando.
Aquilo o incomodava mais do que gostaria de admitir.
Desde o retorno de Helena, algo havia se deslocado dentro dele. Não era urgência, nem desejo explícito. Era uma consciê