Nada foi dito no dia seguinte.
E, ainda assim, tudo estava diferente.
Helena chegou cedo, como sempre. Uniforme impecável, postura firme, passos silenciosos pelos corredores ainda adormecidos da casa. Não havia ansiedade, nem expectativa exagerada. Apenas a sensação de que algo tinha sido rearranjado de forma invisível, como móveis mudados durante a madrugada.
Matteo ainda dormia quando ela entrou no quarto. A luz suave da manhã atravessava a cortina, desenhando sombras delicadas no rosto da criança. Helena aproximou-se devagar, conferiu a respiração, tocou de leve a testa. Nenhum sinal de febre. Apenas o calor natural de um corpo tranquilo.
Ela sorriu, quase imperceptivelmente.
— Bom dia, campeão — murmurou, com a voz baixa o suficiente para não acordá-lo de imediato.
Matteo se mexeu, abriu os olhos devagar e, ao vê-la, relaxou os ombros, como se algo em seu corpo reconhecesse a normalidade retornando.
— Você voltou — disse, sem surpresa.
— Voltei — respondeu Helena. — E hoje a gente