Adrian Moretti não falava sobre Laura porque falar exigia lembrar.
E lembrar, para ele, nunca foi um exercício seguro.
Durante anos, construiu uma vida baseada em controle, previsibilidade e distância emocional suficiente para não ser atravessado por perdas novamente. Para o mundo, era um homem frio. Reservado. Impossível de decifrar. Poucos sabiam que aquela rigidez não nasceu da ambição, mas do trauma.
Helena percebeu que havia algo errado naquela noite em que Matteo demorou a dormir.
O menino se revirava na cama, inquieto, como se o corpo estivesse tentando expulsar algo que a mente ainda não conseguia nomear. Helena sentou-se ao lado dele, em silêncio, respeitando o tempo que aprendeu a dar às crianças quando as palavras ainda não vinham prontas.
— Helena… — chamou Matteo, com a voz baixa.
— Estou aqui — respondeu ela.
— Minha mãe morreu, né?
A pergunta veio simples. Direta. Sem choro.
Helena sentiu o coração apertar.
— Sim — respondeu, com cuidado. — Ela morreu.
Matteo ficou em s