Capítulo 10 – O Juramento do Oeste

O vale mergulhou em um silêncio absoluto.

Nem o vento parecia atravessar as montanhas.

Centenas de guerreiros permaneceram imóveis, olhando para o Supremo Alfa ajoelhado diante de Elara.

A cena era impossível.

Um Supremo jamais se curvava diante de outra autoridade.

Muito menos diante de uma jovem que, até poucos dias antes, havia sido expulsa de sua própria alcateia.

Magnus foi o primeiro a romper o silêncio.

Sua gargalhada ecoou entre as montanhas.

— Então a velha profecia era verdadeira.

Lucien permaneceu ajoelhado.

Não desviou o olhar de Elara.

— Minha Rainha, permita-me cumprir a promessa feita por meus ancestrais.

Elara continuava sem reação.

Olhou para Seraphine.

Depois para Orion.

Por fim, para Evelyn.

Todos permaneciam em silêncio.

Era como se aguardassem sua decisão.

Ela deu um passo para trás.

— Levante-se.

Lucien não se moveu.

— Não posso.

— Por quê?

— Porque meu juramento não foi aceito.

Elara respirou fundo.

— Nem sequer me conhece.

Ele sorriu discretamente.

— Conheço a mulher que sua mãe criou.

As palavras fizeram seu coração apertar.

— Você conheceu Aurora?

Lucien levantou lentamente os olhos.

Havia respeito em sua expressão.

E tristeza.

— Eu tinha doze anos quando ela salvou minha vida.

Elara franziu a testa.

— Minha mãe?

— Sim.

Magnus cruzou os braços.

— Que belo momento para contar histórias.

Lucien ignorou a provocação.

Continuou olhando apenas para Elara.

— Meu pai participou da última grande batalha da Lua Negra.

Foi gravemente ferido.

Os inimigos cercaram nosso grupo.

Achávamos que morreríamos ali.

Então Aurora apareceu.

Sozinha.

Enfrentou dezenas de soldados para abrir caminho até nós.

Meu pai sobreviveu.

Eu sobrevivi.

Antes de partir, ela fez apenas um pedido.

"Se um dia minha filha precisar de ajuda... não deixem que ela enfrente o mundo sozinha."

Lucien respirou lentamente.

— Meu pai repetiu essas palavras até o último dia de vida.

Elara sentiu um nó na garganta.

Quanto mais descobria sobre Aurora...

Mais difícil se tornava acreditar que aquela mulher extraordinária era realmente sua mãe.

Magnus bateu a ponta da espada contra o chão.

— Terminou?

Lucien finalmente levantou-se.

A postura mudou completamente.

A serenidade desapareceu.

No lugar dela surgiu um guerreiro preparado para a batalha.

— Sim.

— Então saia do meu caminho.

— Não.

Magnus sorriu.

— Está disposto a iniciar uma guerra entre Supremos?

— Se for necessário.

O comandante da Lua Rubra ergueu lentamente a mão.

Seus soldados apertaram as armas.

Do outro lado, os guerreiros da Lua Negra fizeram o mesmo.

A tensão aumentava a cada segundo.

Na Fortaleza do Norte...

Kael observava a chuva cair através da enorme janela de seu escritório.

Desde a chegada das notícias sobre a movimentação dos Supremos, um pressentimento insistia em incomodá-lo.

A porta abriu-se sem cerimônia.

Darius entrou acompanhado por dois conselheiros.

— Supremo.

Kael virou-se lentamente.

— Alguma novidade?

— Sim.

Recebemos confirmação de que Lucien deixou o Oeste.

Kael permaneceu em silêncio.

— E Selene?

— Também iniciou viagem.

— Os outros?

— Todos estão se movendo.

O Supremo caminhou até o grande mapa da região.

Seis bandeiras vermelhas já haviam sido deslocadas.

Apenas uma permanecia imóvel.

A sua.

Darius aproximou-se.

— Precisamos agir.

Kael levantou os olhos.

— Ainda não.

O conselheiro pareceu perder a paciência.

— Se esperar mais, chegará tarde.

— Para quê?

— Para capturar a garota.

Kael encarou Darius durante alguns segundos.

— Ela tem nome.

O ambiente ficou pesado.

O conselheiro percebeu imediatamente o erro.

Tentou disfarçar.

— Claro...

Elara.

Kael voltou a olhar para o mapa.

— Ninguém a capturará.

Darius arqueou as sobrancelhas.

— Está disposto a protegê-la depois de tudo o que aconteceu?

A pergunta permaneceu suspensa no ar.

O Supremo demorou a responder.

— Ainda não sei.

Mas descobrirei a verdade.

Mesmo que precise enfrentar todos os Supremos.

Darius apertou discretamente os punhos.

A situação estava saindo de seu controle.

Precisava agir rapidamente.

No vale...

Lucien retirou a lança do chão.

A lâmina prateada refletiu a luz do sol.

Magnus sorriu.

— Então vamos descobrir se o Oeste ainda produz guerreiros dignos desse nome.

Sem qualquer aviso, desapareceu.

Elara arregalou os olhos.

Era rápido demais.

Um estrondo ecoou logo em seguida.

Lucien bloqueou um golpe que teria partido uma pedra ao meio.

As duas armas se chocaram com tanta força que uma onda de choque percorreu toda a ponte.

Poeira levantou.

Pequenos fragmentos de rocha voaram em todas as direções.

Os dois Supremos voltaram a se separar.

Magnus sorriu.

— Melhor do que eu esperava.

Lucien manteve a lança apontada para o adversário.

— Você continua falando demais.

Os dois avançaram novamente.

Desta vez ainda mais rápidos.

Elara mal conseguia acompanhar os movimentos.

Via apenas vultos.

Faíscas.

Explosões provocadas pelo impacto das armas.

Cada golpe fazia a ponte estremecer.

Cedric observava atento.

— Impressionante.

Orion concordou.

— Agora entende por que existem apenas sete Supremos?

Elara não respondeu.

Nunca imaginara que um lobo pudesse atingir aquele nível de força.

Seraphine aproximou-se discretamente.

— Observe os pés.

Elara olhou sem entender.

— Não as armas.

Os pés.

Ela concentrou a atenção.

Percebeu então que Lucien jamais desperdiçava um movimento.

Cada passo era calculado.

Cada giro preparava o golpe seguinte.

Enquanto Magnus utilizava força bruta...

Lucien economizava energia.

— Ele está esperando alguma coisa.

Seraphine sorriu.

— Muito bem.

Elara virou-se surpresa.

— Está apenas se defendendo.

— Exatamente.

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, Magnus rugiu.

Seu corpo começou a mudar.

Os músculos cresceram rapidamente.

As unhas transformaram-se em enormes garras.

O rosto alongou.

Em poucos segundos, um gigantesco lobo negro ocupava a ponte.

Os olhos vermelhos brilhavam com intensidade assustadora.

Os soldados da Lua Rubra comemoraram.

Lucien apenas suspirou.

— Achei que resistiria um pouco mais.

Também iniciou sua transformação.

Seu corpo foi envolvido por uma intensa luz azul.

Quando o brilho desapareceu, um enorme lobo de pelos dourados surgiu diante de todos.

Era ainda maior que Magnus.

Seu porte transmitia imponência.

Não selvageria.

Elara nunca havia visto uma transformação daquele nível.

Os dois animais começaram a circular lentamente um ao outro.

Rosnavam baixo.

A tensão era insuportável.

Então atacaram ao mesmo tempo.

O choque entre os dois fez parte da ponte desabar.

Blocos inteiros de pedra caíram no rio.

A água espirrou vários metros para o alto.

Enquanto todos acompanhavam a luta dos Supremos, Evelyn permaneceu observando algo completamente diferente.

Seu olhar estava voltado para a floresta ao sul do vale.

Ela estreitou os olhos.

Havia movimento entre as árvores.

Muito discreto.

Quase impossível de notar.

Um.

Dois.

Três vultos.

Não pertenciam à Lua Rubra.

Nem ao Oeste.

Vestiam mantos completamente brancos.

No peito carregavam o desenho de uma lua prateada envolta por sete estrelas.

Evelyn empalideceu.

— Não...

Seraphine percebeu imediatamente.

— O que foi?

A mulher respondeu sem desviar o olhar da floresta.

— Eles também vieram.

— Quem?

Evelyn respirou fundo.

Sua voz saiu carregada de preocupação.

— Os Guardiões do Véu.

Seraphine perdeu a serenidade.

— Isso é impossível.

A ordem foi extinta há mais de quatrocentos anos.

— Eu também acreditava.

Um dos vultos retirou lentamente o capuz.

Era um homem de cabelos completamente brancos, apesar da aparência jovem.

Seus olhos eram prateados.

Ele observava Elara com absoluta tranquilidade.

Então levou a mão ao peito em um gesto respeitoso.

Como se estivesse saudando a verdadeira soberana.

E, naquele instante, Elara sentiu a marca em seu pulso arder novamente.

Só que, desta vez, a dor não vinha da espada.

Nem do vínculo rompido.

Ela vinha daquele desconhecido.

Como se seu próprio sangue o reconhecesse.

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