Mundo ficciónIniciar sesiónEla amava o filho do Alfa… até que a traiu. Agora, marcada pelo destino, pertence ao lobo mais temido de todos. Lyrah, uma ômega de coração puro, acreditou ter encontrado o amor ao lado do herdeiro do trono. Mas uma única traição despedaça seus sonhos de se tornar Luna — e a lança em uma floresta onde o orgulho e a dor caminham lado a lado. Durante uma caçada cerimonial, ela cruza com o Alfa Supremo: frio, implacável, cercado por lendas que juram que ele matou sua verdadeira companheira. Quando seus olhos se encontram, acontece o impossível. Seu corpo se entrega. Sua loba se curva. E, diante de todos os líderes reunidos, ela profere a frase proibida: — Minha loba se curvou antes que eu soubesse por quê. O laço está selado. O Alfa está marcado. E a ômega que devia ser esquecida… agora é a Luna que o destino exige — e o clã jamais aceitará. Entre o desejo selvagem e os jogos de poder, Lyrah precisa decidir: vai fugir outra vez… ou se tornar a única mulher forte o bastante para domar a fera que até o destino temeu?
Leer másDezoito anos.
A palavra ecoava em minha mente como um sino, doce e solene. Hoje não era só um aniversário; era a linha que separava quem eu era de quem poderia ser. E no centro de todas as minhas esperanças, havia um nome: Fael.O ar na universidade estava carregado de uma eletricidade diferente. Não era apenas a agitação normal dos corredores, era algo inusitado como se estivesse acontecendo algum evento.
Um frêmito que percorria a matilha e fazia até os professores mais sérios cochicharem atrás de portas entreabertas.
Meu lobo interior, normalmente tão submisso, agitava-se sob minha pele, farejando a mudança. Sempre que isso acontecia, o motivo tinha um só nome, a Casa do Alfa, Cuja qual eu nunca tive qualquer interesse em conhecer ate o momento certo chegar.
Ajustei a alça da mochila no ombro, deslizando entre grupos de alunos com olhos brilhantes. Então, capturei os fragmentos de uma conversa que fez meu passo vacilar.
— … no salão principal, ao meio-dia! O Alfa em pessoa vai apresentar a futura Luna do Fael.
O mundo pareceu reduzir seu ruído a um zumbido surdo. Meio-dia. Mansão do Alfa. Futura Luna.
Meu pulso acelerou, cada batida um martelo contra as têmporas.
Fael. Ele não atendera minhas ligações. Não aparecera. Mas agora… todas as peças se encaixavam com uma precisão dolorosamente linda que fez meu peito gritar.
Meu aniversário. Nossa data. A promessa.
A lembrança de seu sussurro, quente contra meu ouvido numa noite de luar, invadiu-me com a força, mas não só aquela noite como todas as vezes que ele podia me jurar.
“Quando você fizer dezoito anos, Lirah, eu te apresento ao mundo. Não como a filha do Beta. Como minha parceira. Minha única Luna.”
Um sorriso irrefreável nasceu em meus lábios, pequeno e só meu. Ele fizera isso.
Fora tudo um segredo, uma encenação magnífica para nos coroar diante de todos. A ânsia para vê-lo tornou-se um nó de fogo no estômago.
Cheguei em casa voando. Minha mãe, sempre graciosa, dispunha lírios prateados, meus lírios, sobre a mesa. Meu pai, o Beta Aron, observava com a postura firme e o orgulho silencioso que eram sua segunda pele. Seu olhar pesou sobre mim, analítico.
— Animada para o banquete, meu lírio? — perguntou minha mãe, com um sorriso que conhecia todos os meus segredos, menos aquele.
— Muito — respondi, a voz ligeiramente mais aguda que o normal.
Meu pai aproximou-se. Seu cheiro familiar, terra, carvalho e autoridade, envolveu-me.
— Lirah — disse, a voz um baixo grave de advertência. — Mantenha-se discreta. Hoje não é um dia qualquer. É sobre o futuro da matilha, sobre alianças e poder. O foco é o herdeiro.
— está com medo?
— Não! É que todos sabem que o Beta tem uma filha, mas não é o dia deles descobrirem, você chamaria mais atenção, além do fato de que muitos lideres estarão lá.
Seu olhar parecia ver além das minhas camadas de ilusão.
— Não é hora de… distrações.
— Está com medo de que eu encontre meu mate agora que fiz dezoito? — desafiei, tentando soar despreocupada.
— Encontrar um mate não é um conto de fadas, lobinha. É estratégia. É dever. Especialmente para nós.
Seus dedos ergueram um fio do meu cabelo prateado, tão claro quanto o da minha mãe.
— Você herdou a beleza dela. E beleza, nesses círculos, atrai mais olhares do que você imagina. Atrai problemas.
— tudo bem, pai, não se preocupe. — disse me virando e subindo as escadas.
Ate porque essa loba já tem um dono.
Vesti-me com as mãos trêmulas. O vestido azul-claro ajustou-se ao meu corpo como uma segunda pele, e os detalhes prateados cintilaram à luz como escamas de peixe sob a lua.
No espelho, uma estranha me encarava. mulher, não menina. Com uma centelha de determinação nos olhos que eu mesma mal reconhecia. Hoje, pensei, sentindo o lobo dentro de mim erguer a cabeça. Hoje tudo muda.
A mansão do Alfa era um organismo vivo, pulsante com o luxo e o poder da matilha.
O ar cheirava a flores caras, comida rica e ambição disfarçada de perfume.
No centro do grande salão, uma escadaria majestosa descia para um tapete vermelho, levando a dois tronos vazios. O burburinho era uma colmeia de especulações. Todos sabiam o ritual. Todos aguardavam a revelação.
Andei ao redor do salão, vi varias pessoas ilustres, tudo que sei é que o alfa Kaelom é tipo um alfa rei, ele domina sobre todas as matilhas como o líder universal e dentro delas, ele que nomeia cada alfa menor, seu império cresce e fica mais forte a cada guerra, ele toma territórios inimigos, coloca seu nome e dá um novo governo e alfa, ouço meu pai contar como eles vencem as guerras, e as matilhas que ele toma dando uma nova direção, ao que todos dizem, uma direção rumo a gloria e prosperidade, ele parece ser realmente um excelente alfa.
— O futuro alfa de alcateia leste se apresenta! — surgiu o anuncio.
E então, ele apareceu.
Fael e atrás deles aquelas figuras imponente.
Um homem alto e forte de postura autoritária, ao lado de uma mulher esbelta de cabelos negros e longos e atrás deles, o Beta, meu pai... todos os três eram figuras de tirar o folego em questão de poder e autoridade.
Mas meu foco era meu querido Fael.
Parado no topo da escadaria como um príncipe saído de um sonho antigo.
Seu traje cerimonial enfatizava a largura de seus ombros, a postura inata de comando.
Meu coração tentou fugir pela garganta. Nossos olhares se encontraram através da multidão. Contive a respiração, preparando-me para o seu sorriso, para o aceno que confirmaria nossa conspiração de amor.
Ele não sorriu, na verdade parece que não me viu ou fez de conta.
Seu rosto permaneceu uma máscara lisa de pedra. E então, seus olhos desviaram-se de mim, como se varressem a multidão e não encontrassem nada de valor.
Uma fresta de gelo arranhou minha certeza e minhas mãos tremeram me afundando em uma aflição e ansiedade.
Antes que o desespero pudesse tomar forma, um movimento ao seu lado chamou minha atenção.
Uma figura deslizou para o vazio ao seu lado, elegante e segura. A luz incidiu sobre cabelos cacheados e um sorriso que eu conhecia tão bem quanto o meu próprio reflexo.
Jady.
Minha melhor amiga desde a infância. A pessoa a quem confiara cada segredo, cada dúvida sobre Fael.
Ela colocou a mão no braço dele, possessiva, natural. E então, Fael, meu Fael, ergueu a mão pedindo silêncio.
Sua voz, tão familiar, ecoou pelo salão com uma frieza que eu nunca lhe ouvira:
— Hoje é com grande honra que apresento a futura Luna da Matilha do Leste. Minha parceira escolhida.
O tempo esticou-se, elástico e cruel. Vi seus lábios se moverem. Vi o nome se formar no ar entre nós.
— Jady...
Não Lirah, mas... Jady.
A palavra não atingiu meus ouvidos como um som. Atingiu-me como um impacto físico, um soco no plexo solar que roubou todo o ar do mundo.
O rugido de aplausos que explodiu pareceu abafar-se, transformado num zumbido ensurdecedor. Meus pés, que haviam se movido em direção aos degraus por própria vontade, enraizaram-se no mármore frio.
Meu olhar, desesperado, agarrou-se ao dele. Olhe para mim, supliquei em silêncio. Diga que é uma piada. Um erro.
Ele olhou. E, nos seus olhos, onde eu costumava encontrar um segredo compartilhado, não havia amor nem remorso. Havia… constrangimento. A irritação rápida de quem teve um plano imaculado interrompido por um acidente, naquele momento entendi que... eu não soube do jantar, porque não era para eu estar lá, deve ser por isso que meu pai sugeriu que eu me comportasse, talvez ele não tenha dito que não queria me levar... por que sou sua filha, mas... realmente eu nunca participava dessas cerimonias... mas essa era para ser a minha.
Jady, com seu sorriso agora tão afiado, apertou a mão dele. Um gesto íntimo. Seus olhos encontraram os meus por sobre o ombro dele, e neles brilhava não a vergonha, mas a pura, cristalina e triunfante vitória.
E naquele instante, sob a luz gloriosa do meio-dia no dia do meu aniversário de dezoito anos, eu não senti apenas a traição de um homem.
Senti o colapso silencioso de cada verdade com que eu havia construído o meu mundo.
Cap.127Meu pai endireitou os ombros, o peso de sua decisão esmagando o ambiente.— A situação nesta corte está saturada de perigo para ela. O conselho a vigia, os vampiros cobiçam a fórmula. A situação mais segura para Lirah... é mandá-la para longe. Para outra alcatéia.O meu coração parou dentro do carro. Não. Para longe não.— Para longe? — Kaelom repetiu, a voz caindo uma oitava, um tom perigoso e territorial surgindo de forma sutil.— Sim — Aron insistiu. — Até a alcatéia do leste, que Fael vai assumir para o treinamento, é mais segura. Lá ela estará fora do tabuleiro principal, longe dos olhos dos anciãos e dos originais que tentam rastrear quem desenvolveu a formula.— Não — Kaelom disse, a negação saindo de forma abrupta, quase instintiva.Aron soltou uma risada ríspida, desafiadora.— Não? E qual a sua alternativa, Alfa Supremo? Você se recusa a quebrar o vínculo, porque sabe que rompê-lo à força destruiria a mente científica dela e anularia as habilidades de cura que ela po
Cap.126 A Sentença na PenumbraPOV LirahO silêncio dentro do carro era absoluto, mas era o tipo de silêncio que precede o desabamento de uma montanha.Eu estava encolhida no banco do passageiro do sedã blindado de Lucien, os dedos frios cravados no tecido do meu vestido com tanta força que as costuras ameaçavam romper.O couro escuro do banco parecia me sugar para um abismo. Através da ligação mental que o híbrido estabelecera, a minha consciência não estava mais ali; ela flutuava, presa por um anzol de gelo e fogo, diretamente na câmara leste da sede da alcatéia.— Esse momento é crucial para você — a voz de Lucien ecoou no fundo da minha mente, desprovida de seu sarcasmo habitual. Era o tom de um carrasco que narra a subida ao cadafalso. — Preste atenção na conversa deles. Eles não sabem que estou por perto, mascarando a minha presença, mas o que você for ouvir agora pode te tirar ainda mais desse escuro. Para que não morra sem saber pelo que lutar.Morrer? Como assim morrer?Engol
Cap.125O salão de banquetes continuava submerso em uma onda de aplausos, vivas e tilintar de taças de cristal, mas para Lirah, todo aquele barulho parecia vir de debaixo d'água. Seus olhos permaneciam cravados no palco rústico onde Kaelom e Rosely, de mãos dadas, agradeciam à nobreza da matilha.Ela mal piscava, com medo de que, se fechasse as pálpebras por um segundo sequer, as lágrimas que acumulavam em suas órbitas transbordassem diante de toda a corte.Ao seu lado, a presença de Lucien permaneceu fria e constante, como uma estátua de mármore que testemunhava a ruína de um império.Ele não exibia mais o sorriso de escárnio ou o deboche aristocrático que costumava usar como escudo. Seu olhar escuro estava fixo no perfil rígido de Lirah.— Então... — a voz de Lucien ressoou na mente dela, macia, mas desprovida de qualquer intenção de provocação. Era apenas a constatação cirúrgica de um fato. — Você sabe o que isso significa, não sabe? Ele está deixando claro para toda a alcateia, e
Cap.124O burburinho festivo do grande salão de banquetes parecia ter desaparecido, abafado pela tensão repentina que se instalou na mesa lateral.Lucien não tentou mais puxar o braço. Ele olhou para a pele marcada, depois ergueu os olhos profundos e escuros para Lirah. Os lábios finos do híbrido curvaram-se em um sorriso desprovido de qualquer alegria.— Pois é... — ele murmurou, a voz aveludada carregando o peso de séculos de cansaço.Lirah engoliu em seco, o choque inicial sendo rapidamente substituído pelo raciocínio afiado da cientista.— Então é por isso que você está sempre por perto? — ela questionou, a voz trêmula, mas incisiva. — É por isso que veio atrás de mim desde o início? Por causa da pesquisa? Você... você está com a maldição do sangue negro?Lucien assentiu lentamente, o sorriso triste ainda brincando nos lábios.— Sim, doce Lirah. Fui infectado há algumas décadas. Mas, diferente da biologia acelerada dos lobos, a maldição do sangue negro não pode matar um imortal. E
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