Mundo de ficçãoIniciar sessão"Alguns segredos não podem ser enterrados… e alguns amores, tampouco esquecidos." Clara acreditava que o amor poderia ser um refúgio. Um lugar seguro depois de tantas perdas. Mas alguns sentimentos não salvam eles condenam. Em meio a uma cidade tomada pelo medo, um assassino em série deixa um rastro de crimes meticulosamente calculados. Enquanto a polícia corre contra o tempo, Clara se vê cada vez mais próxima do centro dessa teia sombria, mesmo sem compreender por quê. Dividida entre dois homens intensos e opostos, Clara precisa lidar com desejos que a atraem e a ameaçam na mesma medida. Marcos representa proteção, estabilidade e um amor que tenta ser abrigo em meio ao caos. Dante surge como mistério e perigo, despertando nela sentimentos que desafiam a razão e colocam sua segurança em risco. Ambos escondem verdades. Ambos podem ser armadilhas. Não Diga Que Me Ama é um romance carregado de tensão, sedução e segredos sombrios, onde cada página revela que nem todos os vilões usam máscaras… e nem todos os heróis têm mãos limpas.
Ler maisAssassino Consegui. Ah, como consegui. Um susto digno, daqueles que deixam o coração batendo descompassado e a respiração presa na garganta. Faz algum tempo que descobri o pequeno detalhe sobre minha Clara: ela não sabe nadar. Inocente demais, frágil demais… perfeita demais para que eu não usasse isso a meu favor. Foi só esperar. Ela já andava debilitada — culpa, medo, insônia… um banquete emocional que eu mesmo preparei, passo a passo. Bastou colocar o toque final: um pozinho quase imperceptível no suco gelado que Sérgio entregou. E então… a mágica aconteceu. Vocês não fazem ideia do prazer que é assistir. Não apenas o ato, mas a reação. O instante exato em que os olhos dela perdem o foco, o corpo fraqueja, e ela desaba… Ver o pânico tomar conta de Marcos foi delicioso. Denis, tentando parecer calmo, mas com os dedos trêmulos. Ah… aquele desespero deles foi como música para mim. Sim, ela demorou a recobrar a consciência. Admito: por um segundo, apenas um mísero segundo, conside
Marcos Estou conversando com Denis quando Sérgio aparece sozinho. — Onde está Clara? — pergunto. — Na beira da piscina tomando suco. — Você deixou, ela sozinha? — Marcos, a casa está cercada por policiais armados, nada pode acontecer a ela. — diz Denis. — Não é isso que me preocupa, e sim o fato dela estar sempre passando mal e estar na beira da piscina sendo que ela não sabe nadar. O som foi tão baixo que quase passou despercebido. Um plof abafado, como algo pesado caindo na água. No começo, pensei que fosse algum pássaro, sempre tem desses momentos. Mas então percebi que o som não vinha de lá. Era da piscina. Meu corpo se moveu antes mesmo de a mente processar. Larguei a pasta de documentos que estava folheando com Denis e corri. A visão me atingiu como um soco no estômago. Clara. Afundando. — Droga! — o grito saiu preso na garganta. Pulei sem pensar. A água gelada mordeu minha pele, mas não senti. Só conseguia ver o contorno do corpo dela, vestido leve grudado, os cabe
Depois daquela conversa com Marcos, pensei que as coisas ficariam menos sufocantes. Mas não ficaram. Depois desta última morte, muitas outras vieram em poucas semanas. Em menos de um mês e meio, o assassino já havia matado dez mulheres. Dez. E, de alguma forma, eu sabia que cada uma delas era um recado direto para mim. Um aviso cruel de que ele estava se aproximando. Denis fechou a pasta com fotos das vítimas. Seus olhos ficaram presos em uma delas por tempo demais. Sem dizer nada, ele passou a mão pelo rosto e olhou para mim pela janela. — “Não vai acontecer de novo.” — murmurou para si mesmo, mas eu ouvi. Não era só um juramento, era um peso que ele se recusava a deixar cair sobre mim. Um aviso do assassino era cruel e estava se aproximando. A cada nova notícia, algo em mim se partia. Não conseguia mais comer direito, e quando comia, meu estômago simplesmente rejeitava. Era como se meu corpo tivesse decidido viver em constante estado de alerta. Em vez de engordar, como era esp
Clara O barulho da porta rangendo me acorda. Ainda sonolenta, viro para o lado e vejo a cama vazia. Marcos não estava ali quando adormeci, e pelo jeito acabou de chegar. A luz fraca do abajur da sala invade o corredor por alguns segundos antes de ele fechá-la devagar, como se quisesse não me acordar. Finjo que ainda durmo, mas escuto seus passos. Lentos. Pesados. E, principalmente, silenciosos demais para alguém que não tem nada a esconder. Ele entra no quarto, o cheiro de rua e de noite fria vindo junto. O colchão afunda quando ele se senta na beira da cama. Sua mão pousou na minha perna, quase num carinho mecânico, mas sem calor. — Você estava onde? — minha voz quebra o silêncio. Marcos congela, e eu sei que o peguei de surpresa. Ele demora alguns segundos para responder. — Coisa de trabalho. — Trabalho a ponto de voltar com essa cara? — me ergo, apoiando nos cotovelos. — Não tenta disfarçar, Marcos. Você está tenso. — Não quero te preocupar, Clara. — Ele suspira, massageando
Marcos A estrada sempre parece mais longa à noite. Não importa quantas vezes eu a percorra. O farol corta a escuridão à frente, revelando apenas pequenos trechos do asfalto, mas não dissipa o peso que se acumula no meu peito a cada quilômetro. O silêncio dentro do carro é opressor, quebrado apenas pelo som do motor e pelos meus próprios pensamentos, que se atropelam. Sérgio não usaria aquele tom urgente se não fosse algo sério. Ele me conhece há tempo demais para dramatizar sem motivo. E, se for o que eu estou pensando, então as coisas acabaram de escalar para um nível que não consigo mais manter distante de Clara. Um nível que invade, contamina, destrói qualquer ilusão de controle. Chegamos ao perímetro isolado pouco depois. As luzes giratórias das viaturas pintam a noite de vermelho e azul, criando sombras distorcidas entre as árvores. A cena parece retirada de um pesadelo repetido vezes demais. Assim que desço do carro, o cheiro metálico de sangue me atinge em cheio, forte, incon
Clara Abro os olhos no escuro. O quarto está silencioso, exceto pelo som suave da respiração de Marcos ao meu lado. Uma réstia de luz prateada entra pela fresta da cortina, desenhando um traço fino no chão. Meu coração está acelerado e não é por causa de um pesadelo é pelas palavras de Sérgio. “Ela tinha o direito de saber.” Ecoa na minha mente como um sussurro incômodo, um lembrete de que algo grave está acontecendo bem mais perto de mim do que imaginam. Viro para o lado, observando o contorno de Marcos na penumbra. Ele parece tão tranquilo, mas sei que não está. Quando penso no jeito que me tirou do quarto mais cedo, percebo que havia mais medo nos olhos dele do que raiva. Sento-me devagar, abraçando os joelhos. Meus pensamentos voltam ao bilhete que vi na mão dele. As frases frias, quase debochadas. “Estou louco para te reencontrar.” O pior é que ele falava como se já me conhecesse… intimamente. Meus dedos formigam. E se Sérgio tiver razão? E se eu estiver vivendo numa bolha de
Último capítulo