Dante Dias antes Ela entrou… e o mundo ao redor simplesmente perdeu o som. Não precisava de apresentação. Eu já sabia quem você era, mesmo sem nunca ter te visto antes. Percebi que pede o mesmo todos os dias. Um cappuccino italiano com açúcar e canela, sempre esse, para ela. E um expresso forte, sem frescura, para o chefe. O dela, quase sempre em copo térmico. O dele, com tampa vedada e um bilhete amassado grudado com fita, como se isso aliviasse o gosto amargo que a criatura carrega no humor desde às sete da manhã. Na maioria das vezes, ela entra apressada, cabelo preso de qualquer jeito, blazer torto, celular no viva-voz e pasta de documentos quase caindo do braço. Pede no balcão, checa o relógio, morde o lábio. E sai. Como se estivesse sendo cronometrada por alguma entidade invisível chamada “chefia”. Mas, em dias raros… Ah, em dias raros, ela senta. Na mesa perto da janela, a mesma de sempre, como se o mundo tivesse finalmente lhe dado dez minutos de trégua. Nesses mome
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