Clara
O barulho da porta rangendo me acorda. Ainda sonolenta, viro para o lado e vejo a cama vazia. Marcos não estava ali quando adormeci, e pelo jeito acabou de chegar. A luz fraca do abajur da sala invade o corredor por alguns segundos antes de ele fechá-la devagar, como se quisesse não me acordar.
Finjo que ainda durmo, mas escuto seus passos. Lentos. Pesados. E, principalmente, silenciosos demais para alguém que não tem nada a esconder.
Ele entra no quarto, o cheiro de rua e de noite fria