Mundo de ficçãoIniciar sessãoEu já estava arrumada para ir para a faculdade, pois já eram 6h30min hora que minha aula começaria. Já havia terminado de fazer tudo na minha sala, só faltava desligar o computador para enfim poder ir. Sem que eu percebesse, Marcos parou na porta e ficou ali parado, me observando e quando me virei dei de cara com ele.
— Nossa você me assustou! — Desculpa não foi minha intenção. Só vim perguntar se você quer carona pra faculdade hoje — disse, de repente. — Não quero você mancando pelas ruas com uma queimadura escondida. — É só um café, Marcos. Não fui atropelada por um ônibus. Ainda. — Mesmo assim. Eu insisto. E foi assim que, dez minutos depois, eu estava sentada no banco de couro perfumado do carro dele, um sedan importado que parecia ter saído direto de um filme. O ar-condicionado tinha cheiro de menta com poder aquisitivo. — Isso aqui dá pra pagar seis meses de aluguel meu — murmurei, passando a mão pelo painel. — Só se você morar em Paris. — Ou em Pinheiros. Ele riu. E naquele momento, parecia só um cara normal, bonito, rico e totalmente fora do meu alcance, mas ainda assim normal. O rádio estava ligado em volume baixo, e uma voz grave anunciou: “Foi encontrado hoje o corpo de uma mulher, a terceira vítima confirmada do serial killer que vem aterrorizando a cidade. A polícia ainda não tem pistas…” O silêncio caiu dentro do carro. Instável. Frio. — Isso é assustador — murmurei. — E previsível — Marcos respondeu, com um tom estranho. Olhei pra ele. Estava com o maxilar travado, os olhos fixos na estrada como se estivesse em outro lugar. — O que quer dizer com isso? Ele hesitou por um segundo. — Eu estudei pra ser detetive criminal. Era meu sonho. Investiguei casos parecidos durante o estágio. Esse tipo de padrão... eu conheço. Minha boca se abriu devagar. — Você? Detetive? — Era o plano. Mas meu pai ficou doente. Câncer no pâncreas. Precisava de alguém pra cuidar da agência. — ele deu de ombros. — Então vesti o terno. — E você... se arrepende? Ele respirou fundo. Um suspiro que parecia carregar mil decisões não tomadas. — Todo dia. Meus olhos buscaram os dele, mas ele manteve o olhar fixo no semáforo. Os segundos caíam devagar. — Você seria um ótimo detetive — arrisquei. Ele olhou pra mim, dessa vez. E algo naquele olhar me fez esquecer que Dante existia. Que o mundo existia. — E você seria uma péssima vítima. Tem energia demais pra morrer fácil. Soltei uma risada nervosa, mas o coração estava em pedaços. Ele me deixou na porta da faculdade. Antes de sair, hesitei. — Obrigada pela carona. — Sempre que precisar. — Até amanhã? — Clara… — Sim? Ele sorriu, mas parecia cansado. — Tenha cuidado. — Pode deixar, detetive. Bati a porta e caminhei até a entrada sem olhar pra trás. Se olhasse, talvez voltasse correndo. Na entrada da faculdade, não demora muito para dar de cara com a Duda encostada na parede me aguardando, parecia estar impaciente de tanto me esperar. Ela estava com o semblante triste. Deveria estar assim devido a pequena discussão de mais cedo. Resolvo me aproximar, e puxar assunto: — Oi! — Oi! — diz meio seca. — Ainda está brava comigo? — lhe pergunto. — Não. — Estive pensando, talvez eu tenha errado em tentar controlar sua vida. — Ai amiga! — ela então abre um sorriso e me abraça. — Entendo que você não faz por mal, tenho certeza que só estava pensando no meu bem. — Sim, eu só quero o seu bem. Não gosto de te ver chorar por causa desses babacas que não sabem ver a pessoa maravilhosa que você é. — Clara, você é a melhor amiga que alguém poderia querer. — Sei disso. — digo me achando. — Ai meu Deus, por que fui dar asa a cobra? — não aguentamos e caímos na risada, afinal somos duas bobas mesmo. Depois de fazer as pazes seguimos juntas para sala de aula. As aulas transcorreram tão bem que nem percebi a hora passar. Só me dei conta quando já era hora de ir embora, porque Duda me tirou dos meus devaneios me chamando para ir para casa. Ela estava eufórica com o encontro dela, foi me contando todos os seus planos para o tal encontro. Ao chegar ao nosso apartamento percebo o quanto estou cansada, vou direto para o banheiro, tomo um banho quente, o que me deixa relaxada e resolvo ir dormir sem comer nada. Diferente de Duda que mal chegou e já correu para o quarto para se arrumar para o tal encontro, só espero que dessa vez dê certo, sei que às vezes sou meio protetora, mas a única família que me restou foi a Duda e seus pais, tia Kiara e o tio Óscar.