Angelina Ribeiro
Sentei-me no banco do carro, as mãos tremendo sobre o volante, incapaz de ligar o motor. O ar condicionado funcionava, mas não conseguia afastar o calor que subia pelo meu peito, aquele nó que apertava a garganta como se quisesse me sufocar.
Ele estava ali. Saulo. O mesmo homem que havia marcado minha vida de forma indelével. O mesmo que me fez sentir emoções que eu nunca soubera existir. Por cinco anos tentei me convencer de que ele tinha ficado no passado, que a vida seguiria, que eu poderia ser feliz sem ele. Mas agora... agora ele era o juiz da minha audiência, diante de mim, comandando tudo, e eu sentia o peso disso esmagando meu peito.
Respirei fundo, tentando organizar pensamentos que insistiam em fugir. Peguei o celular, pensando em buscar ajuda. Liguei para Ribeiro, mas não atendeu. "Droga... justo agora que eu mais precisava."
Enviei uma mensagem, os dedos trêmulos sobre a tela:
"Ribeiro, preciso de você... agora."
Enquanto esperava, uma nova notificação sur