Saulo Prado
O silêncio da sala de audiências era uma câmara de tortura.
Não um silêncio vazio, mas um que zumbia com o eco de cada respiração suspensa, cada olhar furtivo. Um silêncio que pesava sobre meus ombros como a própria toga, opressivo, sufocante. Eu estava ali, fisicamente presente, sentado no estrado como a autoridade máxima daquela sala, mas minha alma... minha alma estava a quilômetros de distância.
Lá fora, pela janela alta do fórum, o sol daquela manhã na chácara. Um raio de luz