Saulo Prado
O silêncio da sala de audiências era uma câmara de tortura.
Não um silêncio vazio, mas um que zumbia com o eco de cada respiração suspensa, cada olhar furtivo. Um silêncio que pesava sobre meus ombros como a própria toga, opressivo, sufocante. Eu estava ali, fisicamente presente, sentado no estrado como a autoridade máxima daquela sala, mas minha alma... minha alma estava a quilômetros de distância.
Lá fora, pela janela alta do fórum, o sol daquela manhã na chácara. Um raio de luz cruel iluminou um vulto, uma mulher de cabelos ruivos presos, seguindo em direção ao táxi. Meu coração deu um salto violento contra as costelas, enclausurado neste mundo de leis e papéis, e ela, lá fora, vivendo, rindo, seguindo em frente sem mim.
Um soluço arrancou-se do fundo do meu peito, um som rouco e animal que eu mal consegui conter. Abaixei a cabeça, fingindo consultar os autos, mas a visão ficou embaralhada por um lago de lágrimas que teimavam em transbordar. Não chorei por fraqueza. Ch