Saulo Prado
Mantive a postura rígida, os ombros retos, a toga pesada sobre o corpo, mas por dentro, meu mundo estava em desalinho. A sala parecia existir em duas dimensões: a formalidade do tribunal e a presença dela, que transformava cada som, cada gesto em uma faca cravada no peito.
As testemunhas da parte reclamante já haviam saído, e agora a defesa se levantava para apresentar suas alegações finais. Eu deveria ouvir atentamente, tomar notas, analisar cada argumento, mas minha atenção se rec