Angelina da Costa
Os meus bebês reagiam bem, ou pelo menos era o que eu queria acreditar. Deitada na maca, ajeitei o travesseiro atrás da cabeça quando a médica entrou empurrando o aparelho de ultrassom. O sorriso dela era largo, animado demais para o peso que eu sentia no peito.
- Então... preparados para ver os bebês? Papai ansioso? - perguntou, já puxando o carrinho com o visor.
Diogo ergueu o olhar do celular devagar, como se tivesse sido arrancado de um mundo só dele. Não escondeu a tensão nos olhos, mas disfarçou rápido.
- Ele não... - comecei a dizer, mas ele me cortou, a voz seca e firme.
- Muito. - respondeu como se fosse óbvio, como se a pergunta fosse estúpida.
Se levantou sem pressa, ocupando a cadeira ao meu lado. Sentou-se com as pernas abertas, o corpo inclinado pra frente, os dedos entrelaçados no espaço vazio entre os joelhos. A calça social esticava no movimento, e eu suspirei fundo. Qual a diferença de dizer que ele é ou não, é ansioso, se na frente dos outros ele s