Inocente

Saulo Prado

Quando retornei ao escritório, Allana já estava na recepção, concentrada na agenda. Quando ergueu o olhar e me viu desabotoando o terno, abriu um sorriso, veio em minha direção.

- Obrigada, doutor Saulo. Eu já tinha revirado tudo e não tinha achado. - sussurrou.

- Allana... - A voz de Frantesca cortou o ar, seca e dura, mas ela parou ao me ver ali com a secretária.

- Algum problema, meu amor? - perguntei, encarando-a. Ela olhou de mim para a garota ao meu lado, desconfiada.

- Onde você estava, Saulo? - questionou, firme.

Eu ri com a pergunta, sério isso? Vai me colocar um rastreador agora? A encarei rindo.

- Onde eu estive pela manhã, querida? - devolvi, mantendo o olhar nela.

Ela estreitou os olhos, me analisando.

- Como foi a audiência? - perguntou, interessada.

- Segunda instância... faltam testemunhas e alguns documentos. Não tinha condições de continuar. - expliquei. Vi o espanto nos olhos de Allana, que se esforçava para fingir neutralidade.

- E o Cézar, onde está?
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