Saulo Prado
Dei partida no carro, ignorando os xingamentos, os gritos dela, toda aquela histeria que me fazia perder a paciência. Poderia ter causado um acidente, mas não me importei, deixei Ana Júlia para trás.
- Que se exploda! - Disse com raiva.
Ela achava o quê? Que eu estava bem? Que eu estava feliz com a nossa situação? Ela sequer fazia ideia do quanto eu queria estar com a mãe dela, agora, hoje à noite. A noite passada tinha ido embora sem que ao menos tivéssemos aproveitado o bastante.
"Saulo, cuida da minha filha por favor."
A lembrança da voz de Angelina ecoou dentro de mim, junto com os olhos verdes inchados e suplicantes dela. O remorso bateu de repente. Apertei o volante, respirei fundo reduzi a marcha, parando o carro no acostamento. Eu não podia desapontá-la.
Engoli o orgulho, fiz a curva depois de quase um quilômetro e voltei.
- Ela vai entrar. Mas se abrir a boca, eu vedo aquela boca com o cinto - murmurei para mim mesmo, já nervoso só de pensar na cena.
Foi então que