Angelina Da Costa
A viagem apenas começava e, para ser sincera, eu não queria ir para a casa da minha irmã. Colocar ela em risco não estava nos meus planos, mas sabia que não ir também era optar pelo mesmo perigo. Eu teria que jogar conforme as regras de Otávio Prado.
Meu estômago, porém, não colaborava em nada. Duas horas de viagem se tornaram um tormento, náuseas, vômitos, odores horríveis do ônibus e até o cheiro do salgadinho fedido que o garoto ao lado comia me atacavam. Saulo havia enviado a foto da receita; comprei o remédio para enjoo, mas, mesmo assim, meia hora depois ainda estava mal, meu estomago embrulhava, até que me vi apagando, dominada pelo cansaço e pelo mal-estar.
O dia clareava quando chegamos à rodoviária. Era hora de trocar de ônibus. Fiz isso como uma garota obediente, sonolenta, lutando contra o balanço do veículo e o odor insuportável do banheiro químico no fundo. Um dia inteiro de desconforto, e minha vontade era atirar a cartela de comprimidos pela janela.
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