Angelina Da Costa
A tarde já se alongava quando vi Ribeiro sair de casa. Da janela, acompanhei o cunhado carregando sua mala até o carro. Ele ergueu os olhos, como se soubesse que eu o observava dali de cima.
Senti-me uma camponesa aprisionada num castelo, e a casa de traços antigos mineiros só reforçava essa sensação.
O olhar dele me atravessou como um aviso.
Não desviei. Com Otávio aprendi que, às vezes, sustentar o olhar é a única forma de não demonstrar fraqueza. Mas Ribeiro não era Otávio. Bastou ele entrar no carro para que eu, já sem fôlego, desviasse os olhos e soltasse um suspiro pesado.
Eu poderia até enfrentar Diogo Ribeiro... mas contra Otávio Prado? Seria como me oferecer à mira de um soco certeiro. Será que pensa que fugi? Que me escondo?
O carro partiu. Fiquei olhando a estrada até que sumisse no horizonte.
- Dessa vez eu não sei quando ele volta. - A voz de Antônia soou atrás de mim, baixa e quebrada. Seus olhos vermelhos brilhavam próximos à janela. - Gosto dos bene