Narrado por Ares Marino
O aviso veio como tudo que nos chega: disfarçado de rotina, com um atraso que denuncia intenção. O mensageiro não tinha pressa no rosto; tinha precisão. Chegou à minha porta pouco depois do jantar, tirou o chapéu e me entregou uma folha com poucos dizeres e um nome sublinhado: Léa — vigilância contínua. A assinatura? Um codinome que pertence a quem não gosta de cantar em público.
Li duas vezes e senti o corpo tomar um ritmo que aprendi a reconhecer desde menino: a respir