Mundo de ficçãoIniciar sessãoCelina Braga sangrou para construir o império do marido. A recompensa? Flagrá-lo na cama com a esposa do predador mais letal de Costa da Lua. Traída, sem teto e com a alma em frangalhos, a loba ômega só tem um caminho para sobreviver: fazer um pacto com o monstro que ela mais odeia. Adrien Blackwolf não faz caridade. O implacável Gama e CEO bilionário exige um preço alto para aniquilar os traidores e limpar seu próprio nome: um casamento de fachada. Um contrato de casamento gélido. Uma gaiola de ouro. Mas a convivência forçada sob o mesmo teto vira uma fornalha. Celina jura que o dinheiro do magnata nunca comprará sua alma, resistindo com unhas e dentes à possessividade esmagadora dele. Ela só não contava que o ódio gélido de Adrien fosse uma máscara. Sob o terno de grife, o lobo que controla a cidade esconde uma fome ancestral, sombria e obsessiva. E a única presa que ele está disposto a encurralar e devorar... é ela.
Ler mais(POV DE CELINA BRAGA)
O ar na cozinha da mansão Blackwolf pesava. Eu encarava o homem à minha frente, sentindo a aura esmagadora dele pressionar meus pulmões. O ódio naqueles olhos azuis-gelo parecia capaz de esmagar meus ossos. Adrien Alistair Blackwolf estava prestes a me consumir viva. Eu sentia a morte na pele. O copo de cristal em sua mão direita estalou sob a pressão dos dedos dele. Ele não abriu a mão. Não soltou os cacos. Adrien apertou o punho com mais força. O sangue quente e escuro começou a pingar no mármore branco. O cheiro metálico de sangue fresco misturou-se ao aroma sufocante de uísque e cedro que exalava de seus poros. Engoli em seco. Meu coração martelava contra as costelas de uma casca vazia. — O que foi que você acabou de dizer? — a voz dele saiu baixa. Grossa. Letal. Ele deu um passo predatório na minha direção. Estreitou os olhos e pendeu a cabeça levemente para o lado. Por um milésimo de segundo, o azul de suas íris piscou em um amarelo intenso, predatório e insano. O amarelo dos Gamas. — Sua esposa, Victorie. E o meu marido. — Minha voz tremia, mas travei o maxilar. — Eles estão fodendo na sua própria casa, Blackwolf. O Gama Supremo é cego, ou apenas não é homem o suficiente para satisfazer sua esposa a ponto dela ter que procurar o meu homem para satisfazer ela? Ele se aproximou mais invadindo meu espaço. Apertei os punhos, ignorando o instinto de sobrevivência que mandava eu me curvar. — Olha, Adrien, acreditando ou não, é a verdade. — Minha voz saiu trêmula, mas não recuei. — Eu só quero que você dê conta da sua mulher. Afaste ela do meu marido. O maxilar de Adrien travou. O azul de seus olhos era gelo puro, afiado e impiedoso. — Porque se ele tá comendo ela na sua própria casa... — Continuei, a raiva engolindo meu medo. — É porque você não tá fazendo seu papel de homem direito. O silêncio que se seguiu foi o olho do furacão. O arrepio que subiu pela minha espinha avisou que eu havia ido longe demais. Então, o monstro se soltou. — ISSO É MENTIRA! — ele rugiu. O som da voz dele fez as taças nas prateleiras tremerem e estilhaçarem sozinhas. Ele avançou, a mão ensanguentada vindo na minha direção, o peito largo quase esmagando meu corpo contra a ilha da cozinha. A fúria dele derretia o oxigênio. — Minha esposa tem classe, sua ômega suja. Ela jamais se deitaria com um Zetha medíocre como o seu marido. A respiração quente dele bateu no meu rosto. O orgulho ferido deformava seus traços aristocráticos. Eu ri, um som quebrado e amargo. — Então vá até o tal "congresso" que eles vão participar no fim de semana e veja o gosto do seu próprio chifre. O corpo inteiro de Adrien enrijeceu. Cego pelo orgulho ferido e recusando-se a olhar na minha cara por mais um segundo, ele abriu a boca para chamar os seguranças. Mas o burburinho da festa invadiu o ambiente. Convidados curiosos começaram a se aglomerar na entrada da cozinha atraídos pelo barulho da nossa discussão. O ar ficando irrespirável. Dedos cravaram no meu braço esquerdo como garras de aço. Oliver. O aperto do meu marido era violento o suficiente para cortar a minha circulação. — O que está acontecendo aqui? — Oliver sibilou, tenso, os olhos saltando de mim para o bilionário. Adrien parecia um animal enjaulado. Seu peito subia e descia sob o terno rasgado na mão. O sangue ainda pingava dos dedos. A forma como me encarava era puramente predatória… como se estivesse a um segundo de me devorar viva ali no mármore. Um choque elétrico percorreu minha espinha, sufocando o medo. Uma parte selvagem de mim correspondeu aquela fome. Era o instinto de desejar o perigo. Então, o som de saltos finos cortou a tensão. O cheiro de perfume caro e chantilly enjoativa empesteou o ar, embrulhando meu estômago. — Amour... o que está acontecendo? — A voz de Victorie soou macia e doce, carregada de um sotaque francês perfeitamente ensaiado. A esposa do Gama Supremo parou ao lado dele. Os olhos arregalados, a máscara de inocência impecável enquanto olhava para mim. — Por que está agindo assim com a Celina? — ela perguntou, pousando a mão delicada no ombro tenso de Adrien. Aquele toque falso foi o estopim. A fúria que emanou do corpo de Adrien fez o cristal das taças restantes vibrar nas prateleiras. Ele esticou o braço, apontando o dedo manchado de sangue diretamente para o meu rosto. — VÁ EMBORA DA MINHA MANSÃO AGORA, SUA LOBA ÔMEGA IMUNDA! — ele rugiu, a voz rouca e gutural do seu lobo rasgando o silêncio. O salão inteiro paralisou. Fui arrastada por Oliver, os olhares de nojo da elite de Costa da Lua queimando minha pele como ácido. — Oliver Harrington, tire a sua esposa da minha casa agora! — Adrien cuspiu as palavras, como se o nome do meu marido deixasse um gosto amargo em sua boca. Oliver e Victorie trocaram um olhar rápido. Um milésimo de segundo onde o subtexto gritou mais alto que qualquer rugido. Havia pânico sob a máscara de Victorie e uma promessa silenciosa nos olhos de Oliver. Eles achavam que eu era cega. Achavam que eu era apenas a Ômega vazia que não sentia nada. — Eu sinto muito, Adrien... — Oliver murmurou, a voz carregada de uma falsa humildade que me dava náuseas. Ele se virou para mim. A máscara de marido dedicado caiu no instante em que ele saiu do campo de visão do Gama. — Vamos embora. — A voz dele saiu entre dentes, um sibilo venenoso que prometia punição. Oliver cravou os dedos no meu braço. O aperto foi tão violento que senti a pele latejar. Ele não me conduziu; ele me arrastou. Meus pés mal tocavam o chão enquanto eu era puxada através do salão de mármore. Os sussurros da elite de Costa da Lua nos seguia, uma trilha sonora de humilhação que ecoava nas paredes altas da mansão. O ar frio da noite nos atingiu como um tapa quando saímos para a varanda. Oliver me jogou no banco do carona e depois bateu a porta com toda a força. O som do metal batendo contra os meus ossos foi seco. O motor do nosso Toyota antigo rugia, um som áspero que preenchia o silêncio tenso da cabine. O cheiro de estofado velho e aromatizante barato de pinho me sufocava. Oliver golpeou o volante com a palma da mão, fazendo o carro serpentear na pista molhada. — MAS QUE PORRA VOCÊ FEZ, CELINA? — O grito dele ricocheteou nos vidros fechados. Eu me encolhi contra a porta, meus dedos enterrando-se no tecido áspero e puído do banco. — Eu não fiz nada... ele só é imprevisível... — menti em um sussurro, minha voz sumindo no barulho da chuva contra o teto de metal. Oliver soltou uma risada carregada de escárnio, o som vibrando de ódio puro. — Deusa da lua... você não consegue passar uma noite sem me envergonhar? Ele girou o pescoço, me encarando por um segundo com olhos injetados. — Eu tenho que te deixar trancada dentro de casa agora, Celina? Eu não estou acreditando que fomos expulsos por sua causa! — Oliver, eu sinto muito... — Minha voz saiu tão baixa que mal eu a ouvia. O contraste era torturante. A voz dele era potente, um trovão de autoridade que me fazia querer desaparecer no assoalho do carro. De repente, o guincho dos pneus furou o som da tempestade. Oliver pisou no freio com tudo. Meu corpo foi jogado para a frente, o cinto de segurança travando e cortando meu peito. Estávamos no meio de uma estrada escura, cercada pela muralha negra da floresta de Costa da Lua. Ele se virou para mim. O ódio em seu rosto era uma máscara disforme sob a luz fraca do painel. — Quer saber? Já que você não tem capacidade de andar em sociedade e se comportar minimamente como alguém civilizada... vá a pé. O ar fugiu dos meus pulmões. Senti meu rosto esfriar, o sangue fugindo das extremidades enquanto meus olhos se arregalavam, fixos na escuridão lá fora. — O quê? Você está brincando, né? — Não estou! — Ele inclinou o corpo, abrindo a trava da minha porta. — Saia. Agora! A chuva invadiu o carro, trazendo o cheiro de terra molhada e um frio que me fez tremer instantaneamente. — Eu não suporto ficar nesse carro com você. Não suporto olhar para essa sua cara de coitada! — Oliver, por favor, não faz isso... — Minha garganta fechou. — Eu sinto muito. Eu prometo que não vai mais acontecer... — Ou você sai, ou eu te arrasto para fora pelos cabelos! — Ele rosnou, a mão já se movendo na minha direção. As lágrimas transbordaram, quentes e amargas, lavando meu rosto sem que eu percebesse. Abri a porta com as mãos trêmulas. Lá fora, não havia postes. Não havia casas. Apenas o som do vento uivando entre os pinheiros. — Oliver, por favor... aqui é perigoso. Não tem nada aqui… e está chovendo! Ele não me olhou. Não houve um pingo de hesitação. Oliver esticou o braço, agarrou a maçaneta interna e puxou a porta com força. O baque seco do metal fechando ecoou como um tiro na noite. Ele acelerou, as luzes traseiras vermelhas e fracas diminuindo até serem engolidas pela curva da estrada. Fiquei sozinha. Na chuva. A escuridão era absoluta. O frio começou a morder minha pele através do vestido fino de festa. Eu não tinha uma loba. Meus olhos humanos eram inúteis naquela estrada, minhas garras eram só unhas quebradas. Eu era carne e osso, uma ômega sem loba, sem instinto para lutar, sem salvação. Comecei a caminhar quando escuto. Um som grotesco vindo da mata. Estalo de ossos. Girei o pescoço e o pavor paralisou meu sangue. Ele era colossal. Um lobo branco esquelético, todo deformado, com olhos amarelos que queimavam em uma fome insana. Corri. Corri até meus pulmões sangrarem. Luzes à frente. Um posto de gasolina. Esperança. — SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDA! — gritei para o vazio, as lágrimas embaçando a luz. Tarde demais. Algo massivo me atingiu pelas costas. Garras cravaram na minha pele e me jogaram contra o asfalto. A criatura me virou brutalmente. Encarei a bocarra torta e o bafo de decomposição. Gritei até o ar faltar, antes que o mundo desaparecesse em escuridão total.(POV ADRIEN BLACKWOLF)O mundo era um tabuleiro de vidro visto do topo da torre.Do octogésimo andar da Blackwolf Food Company, as luzes de Costa da Lua pareciam brasas moribundas sob meus pés.Eu gostava da altura. O ar era mais rarefeito, mais puro, longe do cheiro de asfalto e da mediocridade das massas que eu alimentava.Minha empresa não apenas vendia comida; ela controlava a sobrevivência de alcateias em três continentes. Se eu fechasse as portas hoje, metade do mundo lupino morreria de fome em um mês.Balancei o copo de cristal, ouvindo o estalo seco do gelo contra as paredes finas.O líquido âmbar dançava sob a luz baixa. Era um The Macallan Valerio Adami 1926. Centenas de milhares de dólares em um único gole.Tinha gosto de turfa, carvalho e poder absoluto.Bebi, sentindo o calor descer rasgando minha garganta, uma queimadura familiar e necessária.Lá embaixo, nos telões espalhados pela avenida principal, minha mentira brilhava.O noivado. A gravidez.Um movimento de mestre
(POV CELINA BRAGA)O trajeto até Costa da Lua foi um borrão de luzes da cidade e o silêncio gélido de Adrien.Eu me encolhia no banco de couro, abraçando meus próprios braços. O cheiro de uísque e cedro que emanava dele era opressor, uma lembrança constante de que eu estava à mercê de um estranho.Quando o SUV parou diante do meu prédio, meu coração deu um solavanco de esperança.— Obrigada por me trazer — sussurrei, já com a mão na maçaneta.Adrien não respondeu. Ele apenas desligou o motor e ficou me observando de canto de olho, nunca diretamente. Ele esperou que eu saísse do carro e deu partida sem dizer uma palavra.Saí do carro sem olhar para trás. Subi o elevador sentindo o estômago dar voltas. Eu só queria meu chuveiro, meu pijama e o silêncio das minhas paredes.Parei diante da porta 402. Minhas mãos tremiam tanto que a chave tilintava contra a fechadura.“Será que Oliver está aqui?” Penso. Respirei fundo. Eu esperava encontrar o vazio. Esperava o escuro.Girei a chave. A por
(POV CELINA BRAGA)O silêncio do hospital era uma prensa sobre o meu peito.Adrien Blackwolf tinha ido embora há dois dias. O rugido do seu SUV partindo na madrugada ainda ecoava na minha mente como um veredito. Ele me deixou no lixo.Eu não me importava. Eu tinha Oliver. Pelo menos, era o que eu tentava dizer ao meu coração estraçalhado.Lobos se curam rápido. Dois dias foram o suficiente para que os hematomas de Oliver começassem a amarelar e ele pudesse se sentar na cama. A pele dele cor de cacau já estava quase toda limpa. Eu cuidava dele com as mãos trêmulas. Limpava sua testa, tentava oferecer água, mas ele desviava o rosto com um tédio que me cortava como navalha.Sentei-me na cadeira de plástico, o corpo doendo de exaustão, e a imagem não saía da minha mente.O estrondo da porta. O cheiro de sexo. Victorie sobre ele.Oliver olhava para Victorie com pura adoração. Era um olhar de entrega, de prazer absoluto.Dói porque eu conhecia aquele olhar.Há dez anos, quando nos casamos,
(POV ADRIEN BLACKWOLF)O som que vinha do quarto 102 era música para os meus ouvidos.Não era um grito de dor física. Era o uivo de uma fêmea que acabara de descobrir que o útero era agora um túmulo.Recostei-me na parede do corredor, cruzei os braços e respirei o ar impregnado de álcool e desespero. Se eu tivesse pipoca, eu me sentiria em um cinema.Abraxas ronronava dentro de mim, saboreando cada nota aguda daquela agonia.— Comandante, a paciente está... instável — uma enfermeira tentou me barrar.Afastei a mulher com um olhar e escancarei a porta.Victorie estava amarrada à cama por eletrodos, o rosto inchado, os olhos verdes como duas azeitonas amargas transbordando lágrimas.— Você matou meu bebê! Seu maldito! Eu te odeio! — Ela gritou, o sotaque francês ficando carregado e sujo pela fúria.Ela tentou avançar, as unhas arranhando os lençóis brancos, mas as enfermeiras a seguraram. Eu apenas ri. Uma risada seca, vinda do peito.— Você matou seu próprio bastardo, Victorie — cuspi
Último capítulo