Mundo de ficçãoIniciar sessão(POV ADRIEN BLACKWOLF)
A madeira não era páreo para o meu ódio. Chutei a fechadura com a força de um martelo pneumático. O estalo foi como um tiro de fuzil ecoando no silêncio da montanha. A porta de carvalho explodiu em estilhaços, revelando o santuário de imundície que Oliver Harrington chamava de refúgio. O cheiro me atingiu primeiro. Suor, perfume de Victorie e o odor pungente do sexo recente. Lá estavam eles. Nus. Entrelaçados sob os lençóis de linho que eu havia pago. O grito de Victorie rasgou o ar, mas meu olhar estava fixo no verme que tentava se cobrir. Oliver saltou da cama, os olhos saltando das órbitas em um pavor primitivo. Eu não era mais um homem. Eu era o Deus da Morte. Minhas garras rasgaram o ar, deixando rastro de estática amarela no escuro. — Adrien! — Victorie gritou, rastejando para o canto da cama, cobrindo os seios com as mãos trêmulas. Ignorei-a. Avancei. Oliver tentou um movimento desesperado. Um soco fraco, de um Zetha que nunca soube o que era uma luta de verdade. Segurei o punho dele no ar. Ouvi o estalo doce dos ossos do carpo cedendo sob a minha pressão. Ele urrou de dor. Eu sorri. O som da carne quebrando era a única música que eu queria ouvir. Joguei-o contra a penteadeira de cristal. O móvel se estilhaçou, cobrindo o corpo nu dele com fragmentos brilhantes. Eu não dei tempo para ele respirar. O primeiro soco explodiu o nariz de Oliver. O segundo abriu o supercílio. O terceiro... o terceiro foi pelo puro prazer de sentir a mandíbula dele se deslocar sob meus nós dos dedos. Eu quebrei tudo. Lâmpadas, garrafas de uísque, quadros. O quarto virou um cenário de guerra, um borrão de sangue e luxo destruído. Parei apenas quando o fôlego dele se tornou um engasgo de sangue. Oliver estava no chão, uma massa de carne ensanguentada, nu e humilhado aos meus pés. Girei o pescoço. O estalo dos meus ossos ecoou como uma sentença. Victorie estava encolhida contra a parede, soluçando, o rosto borrado de maquiagem e terror. Perto da porta, Celina estava caída de joelhos. Ela chorava em silêncio, as mãos cobrindo a boca enquanto observava o mundo que ela construiu ser reduzido a pó e vísceras. Cuspi no corpo ensanguentado. — Levanta seu lixo! — eu rugi em desprezo. Ele não conseguia mover um músculo. O sangue dele manchou meu sapato de cromo. Eu não me importei. Aquele verme não valia o esforço de limpar a sola. — Foi por isso que você me trocou, Victorie? — Minha voz veio das profundezas, um rugido contido que fez os estilhaços de vidro no chão vibrarem. Apontei para a massa ensanguentada no tapete. O rosto de Oliver estava tão deformado pelos socos que ele era irreconhecível. Peguei-o pelos cabelos molhados de suor e sangue, erguendo o corpo mole para mostrar a ela o meu estrago. Ele estava desacordado. Fraco. Patético. Senti um desprezo profundo surgir em meu lobo. Eu mal tinha descarregado metade do meu poder e ele já tinha quebrado. Zetha medíocre. Soltei o cabelo dele. A cabeça bateu contra o chão com um som oco e satisfatório. — Esse monte de bosta que não consegue nem se manter em pé? — Soltei uma risada sombria, carregada de sadismo. Encarei as duas. Victorie encolhida na parede. Celina de joelhos na porta. Ambas devastadas pelo mesmo homem. Caminhei até ele e chutei as costelas do verme nu. O som de osso quebrando foi delicioso. Oliver gemeu, um som patético de animal ferido. — É por esse monte de bosta que vocês duas estão apaixonadas? — Minha risada ecoou pelo chalé, fazendo até Abraxas estremecer. — Olhem bem para ele. Porque esse é o fim da linha para quem ousa tocar no que é meu. Acertei a bota nas costelas de Oliver, lançando seu corpo nu pelo quarto até ele colidir contra os pés da fêmea que o escolhera. — PARA! POR FAVOR, VOCÊ VAI MATÁ-LO! — Victorie uivou, o rosto inchado de lágrimas e pavor. Eu não parei. O peito dele ainda subia e descia em espasmos. Ele ainda respirava o meu ar. Apertei o antebraço de Oliver. O osso sob a pele era patético, fino como o de um pássaro. Enverguei o membro até ouvir o estalo seco de madeira podre cedendo. O grito de Oliver foi um agudo que cortou o ar, um som de animal sendo abatido em um matadouro. Eu nem estava me esforçando. Meu suor sequer tinha começado a brotar. O que me irritava profundamente era saber o quanto aquele homem era insignificante diante de mim. Victorie se arrastou, jogando-se aos meus pés, a pele nua encostando no tapete sujo de sangue e estilhaços. — Adrien, por favor... para com isso — ela implorou, agarrando a barra da minha calça com as mãos trêmulas. — Por favor... eu faço o que você quiser. Encarei o topo da cabeça dela com um nojo que me revirava as entranhas. — O que você quiser — ela repetiu, o choro abafado contra meus sapatos manchados. Pude sentir o olhar de Celina queimando nas minhas costas, vindo da porta. O silêncio dela era mais pesado que os gritos de Victorie. Afastei meu pé do toque dela como se tivesse encostado em algo amaldiçoado. — Você já fez o que quis, Victorie — minha voz saiu baixa, vibrando com a promessa de algo muito pior que a morte. — Agora, você vai aprender o preço de ter mãos sujas com o que me pertence. Enterrei a ponta do sapato no rádio estilhaçado de Oliver uma última vez. Senti o estalo úmido do osso moendo sob o couro do meu sapato. A vibração da agonia dele subiu pela minha perna como uma descarga elétrica deliciosa. Ao longe, o uivo das sirenes rasgava o silêncio da montanha. Passos ecoavam no corredor, mas ninguém ousava entrar. Eles sabiam o lugar deles. Esperavam que o Comandante terminasse o banquete. Olhei para a carcaça ensanguentada no chão. Eu poderia estourar o crânio dele aqui e agora, mas a morte era um presente rápido demais para um verme. Uma risada seca e sombria escapou da minha garganta. Eu queria a ruína absoluta. Queria ver o momento em que não sobraria nada além de cinzas e dor nas vidas desses dois. A humilhação lenta seria o meu verdadeiro troféu. A tortura deve ter deixado Victorie no limite ela desmaiou, eu apenas reviro o olho. — Levem-nos — ordenei para as silhuetas que aguardavam na porta, sem desviar o olhar do rastro de sangue no tapete. — Quero os dois no hospital. Quero que sobrevivam para sentirem cada milímetro do inferno que comecei a construir hoje. Virei as costas, ajeitando os punhos do terno como se nada tivesse acontecido. O show estava apenas começando.






