7 - Primeiras Rachaduras

O som não foi um impacto seco, mas um lamento. O ferro da bola de demolição encontrou o tijolo maciço do anexo lateral do casarão com um ruído que pareceu rasgar o tecido do meu próprio peito. O chão sob meus pés, as mesmas tábuas que um dia sustentaram o peso dos passos de um Julian criança, tremeu violentamente. Poeira de décadas, composta de cal, gesso e memórias pulverizadas, subiu em uma nuvem sufocante, tingindo o ar de um branco fantasmagórico.

Era como se a própria história estivesse sendo moída em tempo real. Eu sentia o gosto de calcário na boca e o cheiro de madeira velha e úmida sendo partida ao meio. Era o cheiro do fim.

Julian não se mexeu. Ele continuou parado diante da janela, as mãos agora fechadas em punhos tão rígidos que os nós dos dedos pareciam prestes a romper a pele. A luz dos faróis dos tratores lá fora, filtrada pela névoa de poeira que subia, criava uma aura de julgamento ao redor de sua silhueta. Ele parecia uma estátua de mármore em meio a um desmorona
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