O armazém de aço da família Vane não era apenas um prédio; era um sarcófago de ferro fundido. O cheiro de metal oxidado e poeira estagnada nos atingiu como uma presença física assim que cruzamos o limiar da porta entreaberta. O silêncio lá dentro era diferente do silêncio da rua; era denso, carregado pelo peso de segredos que esperavam trinta anos para serem exumados.
Caminhamos pelo corredor central, onde as sombras das vigas se projetavam no chão como costelas de um gigante morto. Minha Leica pendia no meu pescoço, mas minhas mãos estavam vazias, tateando o ar gélido em busca de um equilíbrio que parecia impossível.
— Ele está aqui — Julian sussurrou. Sua voz não tremeu, mas o tom de barítono estava tão baixo que parecia vir do chão de concreto.
Ele sente o cheiro do pai neste lugar, pensei, observando como o corpo de Julian se retraía a cada rangido do telhado de zinco. Este armazém é o lugar onde a infância dele foi moída para virar alicerce. Ele olha para essas paredes e não vê a