O trajeto até o West Loop foi um borrão de luzes de freio vermelhas e o chiado dos pneus sobre o gelo negro. Minha respiração saía em nuvens curtas e espasmódicas, e minhas mãos, ainda sujas com o pó de tijolo do casarão, apertavam o volante com tanta força que os tendões latejavam. Pelo retrovisor, o brilho alaranjado dos refletores do Distrito Sul diminuía, mas o som da demolição ainda ecoava na base do meu crânio como um martelo rítmico.
Julian estava lá. Sozinho.
Eu sabia que o sacrifício dele era uma tentativa de redenção, mas o medo de que ele se tornasse apenas mais um escombro sob as botas de Marcus Thorne era uma dor física, aguda e constante. Ao chegar ao prédio do meu estúdio, não esperei o elevador lento; subi as escadas correndo, dois degraus por vez, o cansaço sendo obliterado pela adrenalina pura.
Ao entrar no estúdio, o cheiro de químicos me atingiu como uma bofetada de sobriedade. Eu precisava ser precisa. A fotografia não perdoa a pressa.
Tranquei a porta e fui d