O mundo havia se transformado em um palco de luzes brancas e sombras violentas. O brilho dos refletores das equipes de reportagem ricocheteava nos flocos de neve, criando uma atmosfera irreal, quase onírica, se não fosse pelo cheiro pungente de óleo diesel e pela poeira sufocante de gesso que ainda pairava no ar.Eu estava parada na beira do abismo, meus pés afundando nos destroços de tijolos que outrora formaram a parede da cozinha da minha infância. Meu peito ardia, não apenas pelo frio cortante de Chicago, mas por um medo que eu nunca havia sentido antes — um medo que não era por mim, nem pela minha arte, mas pela vida daquele homem imóvel entre os escombros.— JULIAN! — gritei novamente, minha voz falhando, uma nota de puro desespero que a imprensa capturava com avidez predatória.Julian virou o rosto lentamente em minha direção. A luz de um dos holofotes o atingiu em cheio, revelando o sangue que escorria por sua face, transformando o arquiteto de mármore em uma figura de tra
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