O silêncio do hospital Memorial de Chicago tinha uma textura diferente do silêncio do armazém. Não era o peso do metal morto, mas o zumbido elétrico da vida tentando se manter agarrada aos fios. O sol da manhã entrava pelas persianas da unidade de terapia intensiva, fatiando o quarto de Bianca em tiras de luz e sombra, como se o mundo fosse apenas um grande negativo esperando para ser revelado.
Julian estava sentado na poltrona de vinil ao lado do leito, a cabeça baixa, as mãos entrelaçadas. Ele não parecia mais o gigante que desafiara Thorne entre as vigas de aço; parecia um homem que finalmente descobrira que a gravidade também se aplica ao coração.
Eu o observo da porta, pensei, sentindo o peso da minha Leica na bolsa — uma presença constante, mas que hoje parecia estranhamente silenciosa. Ele passou a vida tentando ser o pilar que sustenta o nome Vane, e agora que o nome foi reduzido a pó, ele parece estar aprendendo a respirar de novo. Mas o medo ainda está lá, escondido na cu