O tribunal de Chicago, que por tanto tempo pareceu um mausoléu de madeira escura e destinos selados, estava banhado por uma luz de primavera que insistia em desafiar a gravidade dos fatos. Hoje, o ar não cheirava a poeira de arquivo, a mofo de processos antigos ou ao suor frio do desespero; ele cheirava a encerramento, a terra molhada pela chuva matinal e a uma liberdade que eu ainda tateava com incredulidade.
As paredes altas, com seus painéis de carvalho que testemunharam décadas de crimes e mentiras arquitetadas, pareciam menos imponentes sob aquele sol que atravessava as janelas superiores. Era como se a luz estivesse realizando sua própria perícia, expondo as partículas de pó que outrora ocultavam a verdade.
Sentada na primeira fila, senti a mão de Julian envolver a minha. Seus dedos não estavam mais tensos como cabos de aço sob pressão extrema; estavam relaxados, quentes, ancorando-me ao presente. Era um toque sólido, uma fundação que não dependia de cálculos matemáticos, ma