O céu sobre o Distrito Sul não era mais o manto dourado da hora mágica; era uma massa de nuvens cor de chumbo que parecia descer sobre nós como um teto prestes a colapsar. O vento trazia o cheiro de ozônio e terra molhada, aquele prenúncio de tempestade que, em Chicago, sempre soava como um aviso de guerra.
Julian dirigia com os olhos fixos na estrada, a mandíbula tão tensa que eu temia que seus dentes se estilhaçassem. Ao nosso lado, no banco de trás, a bolsa com as cópias dos documentos que Bianca nos dera parecia emitir um calor próprio.
— Victor não está atrás de papéis, Elena — Julian disse, sua voz cortando o silêncio do carro como uma serra elétrica. — Ele é um animal de rua. Ele quer o que é sólido. O que pode ser trocado por uma fuga ou por uma vida nova.
Ele tem razão, pensei, sentindo o suor frio humedecer a alça da minha Leica. Victor nunca se importou com a verdade arquitetônica ou com o legado dos Vane. Ele foi criado no ressentimento, alimentado pelas sobras do impé