O presídio estadual de Cook County era a antítese exata de tudo o que Julian Vane representava. Se a Torre Vane era um poema de transparência e ascensão, aquele lugar era um monólogo de opacidade e queda. As paredes de concreto bruto pareciam absorver a luz, e o ar carregava um peso metálico, um cheiro de desespero e ferro que me fazia querer inspirar fundo apenas para ter certeza de que meus pulmões ainda pertenciam ao mundo lá fora.
Eu estava sentada em uma sala de visitas que parecia ter sido projetada para despojar o ser humano de qualquer vestígio de dignidade. Não havia a "hora mágica" ali; apenas o zumbido incessante das luzes fluorescentes que faziam tudo parecer doente, pálido, desprovido de alma.
Minha Leica estava guardada no armário da entrada. Pela primeira vez em anos, eu me sentia nua. Sem a lente entre mim e a dor, o impacto era direto, visceral. Meus dedos, ainda marcados pela tinta das impressões da noite anterior, tremiam levemente sobre a mesa de fórmica riscad