Capítulo 27: ossos e sombra

O ar úmido e frio da passagem subterrânea grudava na pele como um pano molhado. As paredes de pedra, irregulares, absorviam a pouca luz que vinha da lanterna pendurada no meu pescoço, e o som dos meus passos era engolido pelo silêncio espesso.

O corredor estreito se abria, enfim, para uma sala maior, de teto baixo e abóbada em pedra. Ali, o cheiro de mofo se misturava a algo mais denso: madeira velha, couro gasto e ferro oxidado.

No centro, um baú preto, largo, com ferragens trabalhadas. Não estava trancado — apenas fechado com um fecho pesado. Abri.

Dentro, empilhados com disciplina quase militar, estavam dezenas de diários. As capas variavam: algumas eram de couro gasto, outras de tecido desbotado, e havia as que ainda conservavam brilho e cores. Peguei o primeiro, o mais antigo. A lombada rachada soltou um estalo seco ao se abrir.

A caligrafia era firme, elegante, inclinada levemente para a direita. O nome na primeira página: Clarisse d
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