Mundo ficciónIniciar sesiónEmily Carter passou quinze anos tentando provar que a morte de seu pai não foi um acidente. Jornalista investigativa, determinada e incapaz de abandonar uma verdade mal enterrada, ela finalmente encontra uma pista capaz de ligar o poderoso império Blackwood ao assassinato que destruiu sua família. Mas, ao invadir um evento da empresa em busca de provas, Emily presencia um novo crime e acaba nas mãos de Cole Blackwood — o herdeiro mais temido da família que ela jurou destruir. Frio, perigoso e conhecido por resolver os problemas de seu pai sem fazer perguntas, Cole deveria ser seu maior inimigo. Porém, quando homens armados tentam matar Emily, ele se torna a única pessoa capaz de mantê-la viva. Forçados a fugir juntos, os dois mergulham em uma rede de corrupção, traições e segredos que atravessa gerações. A cada nova descoberta, Emily percebe que Cole não é apenas o homem que seu pai investigava. Ele estava presente na noite em que Thomas Carter morreu. Enquanto a desconfiança cresce, a atração entre eles se torna impossível de ignorar. Cole carrega pecados que não podem ser apagados, e Emily sabe que entregar o coração ao herdeiro Blackwood pode ser ainda mais perigoso do que enfrentar toda a família. Quando uma acusação de assassinato transforma Emily em fugitiva, eles criam uma mentira capaz de protegê-los: um noivado público. Agora, diante das câmeras, ela precisa fingir que ama o homem que deveria odiar. Dentro da mansão Blackwood, porém, cada toque, cada beijo e cada promessa começam a parecer reais demais. Para descobrir quem matou seu pai, Emily terá de confiar em Cole. Mas a verdade pode provar que seu noivo é também o homem que ajudou a destruí-la.
Leer másEmily Carter aprendera cedo que as pessoas mais perigosas raramente pareciam perigosas.
Elas usavam ternos feitos sob medida, sorrisos treinados diante do espelho e relógios que custavam mais do que a renda anual de uma família inteira. Brindavam com champanhe enquanto decidiam quem perderia o emprego, quem seria comprado e quem precisaria desaparecer.
Naquela noite, centenas delas estavam reunidas sob o teto de cristal do Grand Belmont Hotel, no centro de Chicago.
Do lado de fora, uma chuva fina castigava a cidade, transformando as luzes dos prédios em manchas douradas sobre o asfalto. Lá dentro, o salão principal parecia existir em outro mundo. Lustres antigos iluminavam mesas cobertas por toalhas brancas, garçons atravessavam o espaço carregando bandejas de cristal, e uma orquestra tocava uma melodia suave que quase conseguia esconder o som das negociações sussurradas.
Emily passou os dedos discretamente pela lateral do vestido azul-escuro, confirmando pela décima vez que o pequeno gravador continuava preso à costura interna.
Respirou devagar.
Ela não pertencia àquele lugar.
Mas sabia fingir.
— Senhorita Walsh?
A pergunta veio de um dos homens da segurança.
Emily virou-se com um sorriso educado.
O homem tinha o pescoço grosso, um ponto eletrônico no ouvido e olhos treinados para desconfiar de qualquer movimento fora do padrão. O crachá dourado preso ao paletó indicava que ele pertencia à equipe particular da Blackwood Defense.
Ela sustentou seu olhar sem hesitar.
— Sim?
— Posso ver sua credencial novamente?
Emily retirou o cartão preso à pequena bolsa e o entregou.
O nome impresso era falso.
Madeline Walsh — Assessoria Legislativa da senadora Grace Holloway.
A credencial, no entanto, era perfeita.
Noah Bennett pagara caro por ela e passara duas semanas repetindo que aquilo era uma péssima ideia.
“Uma investigação não vale sua vida, Emily.”
Talvez ele estivesse certo.
Mas Noah não passara quinze anos abrindo caixas empoeiradas no porão da mãe. Não passara a adolescência lendo as anotações de um pai morto, tentando compreender por que um homem cuidadoso e sóbrio perdera o controle do carro em uma estrada seca.
Noah não acordava no aniversário do acidente ouvindo a última mensagem de voz de Thomas Carter.
Eu encontrei alguma coisa, querida. Alguma coisa grande.
A gravação terminava ali.
Três horas depois, Thomas estava morto.
O segurança devolveu a credencial.
— A senadora chegará em breve?
— Foi retida em Washington. Pediu que eu representasse o gabinete e entregasse pessoalmente os cumprimentos ao senhor Blackwood.
Emily pronunciou o nome como se não sentisse repulsa.
Victor Blackwood.
Fundador e diretor da Blackwood Defense. Bilionário. Filantropo. Benfeitor de hospitais, escolas e campanhas políticas.
E, segundo as anotações de Thomas Carter, um homem ligado a contratos militares fraudulentos, chantagem e pelo menos três mortes nunca investigadas corretamente.
O segurança abriu passagem.
— Aproveite a noite, senhorita Walsh.
— Obrigada.
Emily caminhou para o interior do salão sem acelerar. Somente quando alcançou a multidão permitiu que o ar escapasse de seus pulmões.
Primeira barreira superada.
Ainda faltavam todas as outras.
Ela pegou uma taça de champanhe de uma bandeja, mas não bebeu. Precisava parecer integrada ao ambiente sem perder a lucidez.
Na extremidade do salão, uma enorme tela exibia imagens de projetos financiados pela Fundação Blackwood: clínicas para veteranos, bolsas de estudo, abrigos para mulheres e crianças.
A ironia era tão perfeita que quase parecia uma provocação.
Emily se moveu entre políticos, empresários e celebridades locais, captando fragmentos de conversas.
Um senador falava sobre novas licitações de defesa.
Um empresário do setor de tecnologia reclamava de regulamentações federais.
Uma mulher coberta de diamantes ria ao comentar que nunca visitara o abrigo ao qual doaria cinquenta mil dólares naquela noite.
Emily guardava rostos, nomes e frases.
Era um hábito antigo.
Seu pai dizia que uma boa jornalista precisava observar não apenas o que as pessoas falavam, mas aquilo que tentavam esconder enquanto falavam.
Thomas Carter fora um repórter paciente. Não buscava manchetes fáceis. Construía investigações durante meses, às vezes anos, ligando documentos, testemunhos e pequenos detalhes que pareciam irrelevantes.
Emily herdara dele a persistência.
Também herdara a incapacidade de abandonar uma pergunta sem resposta.
— Senhoras e senhores.
A voz grave ecoou pelos alto-falantes.
As conversas diminuíram.
Victor Blackwood subiu ao palco.
Aos sessenta e três anos, ele conservava a postura ereta e a confiança de alguém que jamais ouvira a palavra não sem transformá-la em um problema a ser removido. Seus cabelos grisalhos estavam impecavelmente penteados. O sorriso era paternal, quase caloroso.
Emily sentiu um arrepio percorrer seus braços.
Conhecia aquele rosto melhor do que conhecia o de alguns parentes.
Tinha fotografias dele espalhadas por uma parede inteira em seu escritório.
Victor agradeceu aos convidados, falou sobre responsabilidade social e sobre o dever dos privilegiados de devolver algo à comunidade.
As pessoas aplaudiram.
Emily observou as mãos dele.
Firmes. Elegantes. Sem qualquer tremor.
Perguntou-se quantas sentenças de morte aquelas mãos haviam assinado.
— Hoje — continuou Victor — celebramos não apenas a generosidade, mas a confiança. Confiança nas instituições, nas famílias e nos homens e mulheres que protegem este país.
A palavra confiança quase fez Emily rir.
Ela ergueu a taça até os lábios, escondendo a expressão.
Foi então que o viu.
O homem parado à direita do palco não aplaudia.
Ele vestia um terno preto sem gravata, como se a formalidade daquela noite fosse uma obrigação que aceitara apenas pela metade. Era alto, de ombros largos, com cabelos escuros e um rosto que não precisava de qualquer esforço para parecer severo.
Cole Blackwood.
Emily o reconheceu imediatamente.
O filho mais velho de Victor aparecia pouco em eventos públicos. Não dava entrevistas. Não mantinha perfis em redes sociais. Não sorria para fotógrafos.
Oficialmente, era diretor de operações estratégicas da Blackwood Defense.
Extraoficialmente, segundo duas fontes que haviam desaparecido antes de prestarem depoimento, Cole era o homem chamado quando Victor desejava resolver um problema fora dos tribunais.
Ele não olhava para o pai.
O olhar de Cole percorria o salão.
Analisava saídas, seguranças, movimentos incomuns.
Pessoas.
Emily tentou não se enrijecer quando os olhos dele passaram por ela.
Por um segundo, imaginou que continuariam adiante.
Não continuaram.
Cole a observou.
O salão pareceu diminuir ao redor deles.
Havia algo desconcertante no modo como aquele homem olhava. Não demonstrava curiosidade nem interesse social. Parecia desmontar cada pessoa em silêncio, procurando o ponto exato onde a verdade se separava da mentira.
Emily ergueu levemente o queixo.
Não desviaria primeiro.
A distância entre os dois era grande, mas a força daquele contato atravessou o salão como uma corrente elétrica.
Ela sentiu o coração acelerar.
Não por atração, disse a si mesma.
Era instinto de sobrevivência.
Cole Blackwood era um homem perigoso. Tudo nele sugeria controle: a postura imóvel, o maxilar rígido, os olhos escuros que pareciam não permitir qualquer aproximação.
Ainda assim, havia alguma coisa além da frieza.
Um cansaço oculto.
Uma sombra.
Emily odiou ter percebido.
Victor terminou o discurso sob aplausos. As conversas recomeçaram, e Cole foi interceptado por um homem mais velho antes que pudesse continuar observando-a.
Emily aproveitou a oportunidade.
Deixou a taça sobre uma mesa e caminhou em direção ao corredor lateral.
Segundo a planta do hotel que Noah conseguira, o escritório reservado de Victor ficava dois andares acima. O elevador principal exigia uma credencial especial, mas uma escada de serviço ligava o salão à área administrativa.
Ela precisava de quinze minutos.
Vinte, no máximo.
Uma funcionária passou por ela carregando uma bandeja vazia. Emily fingiu procurar o banheiro até a mulher desaparecer atrás de uma porta.
Então entrou na escada.
O som da festa morreu quase completamente.
A iluminação fria e as paredes cinzentas contrastavam com o luxo do salão. Emily retirou os sapatos de salto e os segurou em uma das mãos enquanto subia.
No segundo andar, encontrou a porta trancada.
Retirou um pequeno cartão eletrônico da bolsa.
Noah protestara especialmente contra aquela parte.
“Isso não é jornalismo. É invasão.”
“É investigação.”
“É crime.”
“Só quando dá errado.”
O cartão clonador levou seis segundos para liberar a fechadura.
Emily entrou.
O corredor administrativo estava vazio, coberto por um carpete espesso que abafava seus passos. Recolocou os sapatos e seguiu as placas discretas até encontrar uma porta de madeira escura.
V. Blackwood.
Seu pulso disparou.
Tantos anos.
Tantas anotações incompletas.
Tantos becos sem saída.
Talvez a verdade estivesse a poucos centímetros dela.
Emily testou a maçaneta.
Trancada.
Usou novamente o dispositivo.
A luz vermelha piscou duas vezes antes de se tornar verde.
Ela entrou e fechou a porta atrás de si.
O escritório tinha o tamanho do apartamento onde Emily crescera.
Emily tentou abrir a porta quando Cole reduziu a velocidade em um pedágio. Estava trancada.Tentou memorizar placas, cidades e saídas. Ele percebeu.Tentou alcançar o celular reserva no console quando ele parou para abastecer. Cole o guardou no bolso antes mesmo de sair.— Preciso avisar Noah — disse ela.— Já enviei alguém para verificar seu apartamento e seu editor.— Quem?— Um homem em quem confio.— Isso não significa nada para mim.— Não precisa.— Quero falar com Noah.— Quando for seguro.Emily desceu do carro assim que Cole entrou na pequena loja do posto.O ar frio atingiu seu rosto.A estrada se estendia vazia dos dois lados. Havia um caminhão estacionado perto das bombas e uma mulher abastecendo um carro alguns metros adiante.Emily caminhou na direção dela.— Com licença.A mulher virou-se.— Sim?— Preciso usar seu telefone.Antes que pudesse explicar, a presença de Cole surgiu atrás dela.— Ela não precisa.A mulher olhou de Emily para Cole.A tensão foi imediata.Emily
— Só quando todas as provas apontam para ela.— Provas podem ser fabricadas.— Como acidentes de carro?Ele ficou rígido.Emily viu.— Você sabe — disse ela.Cole não respondeu.— Sabe o que aconteceu com Thomas.— Sei partes.— Conte.— Não agora.— Você continua dizendo isso.— Porque há coisas que não posso confirmar.— Ou coisas que não quer admitir?Cole olhou para ela por um instante.— Você realmente não sente medo de mim?Emily considerou a pergunta.— Sinto.A honestidade pareceu surpreendê-lo.— Mas sentir medo não significa obedecer — continuou. — Passei quinze anos com medo de nunca descobrir a verdade. Não vou parar agora porque Victor Blackwood mandou homens para minha casa.Cole voltou os olhos para a estrada.— Não foi Victor.— O homem disse que foi.— Ele disse o que alguém queria que eu acreditasse.— Você está protegendo seu pai?— Estou dizendo que Victor não teria enviado desconhecidos.— Talvez não confie mais em você.A frase atingiu o alvo.Cole ficou em silên
— Você receberá de volta depois.— Não toque nas minhas coisas.— Sua prioridade deveria ser continuar respirando.— E a sua deveria ser aprender que não pode me dar ordens.Cole abriu a porta.— Estamos perdendo tempo.Emily olhou para os homens no chão.— Não podemos deixá-los aqui.— Um telefonema anônimo trará uma ambulância.— E se morrerem?— Um deles tentou cortar sua garganta.— Isso não significa que eu queira ser responsável pela morte dele.Cole a observou como se ela tivesse dito alguma coisa incompreensível.— Você ainda está preocupada com eles?— Estou preocupada comigo. Não quero me tornar alguém que olha para uma pessoa ferida e decide que ela merece morrer.Por um instante, Emily viu algo nos olhos dele.Reconhecimento.Talvez inveja.Cole pegou o telefone do invasor e digitou rapidamente.— Uma ambulância chegará em seis minutos.— Como sabe?— Porque conheço a resposta de emergência desta região.— Claro que conhece.Ele guardou o aparelho e conduziu Emily ao corre
— Porque você invadiu o escritório do meu pai, roubou documentos e testemunhou um assassinato.— Um assassinato cometido por alguém da empresa de vocês.— Você viu o rosto do atirador?Emily pensou no homem de luvas pretas.— Não.— Então não sabe quem cometeu.— Daniel Harper disse o nome do meu pai antes de morrer.A frase pareceu atingir Cole.Muito rápido.Mas atingiu.— O que exatamente ele disse?— Por que se importa?— Responda.— Não me dê ordens dentro da minha casa.Cole olhou ao redor.O apartamento estava destruído. Uma cadeira virada. Vidros espalhados. Dois homens caídos no chão.— Este lugar não é mais seguro.— Graças à sua família.— Graças à sua investigação.Emily avançou até ficar a poucos centímetros dele.— Meu pai morreu por causa da Blackwood Defense. Daniel Harper morreu por causa da Blackwood Defense. E dois homens invadiram minha casa procurando arquivos roubados da Blackwood Defense. Não tente transformar isso em culpa minha.— Você entrou em um território





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