Mundo ficciónIniciar sesiónNa noite em que esperava ouvir um pedido de casamento, Belinda vê a própria irmã anunciar que está grávida do seu namorado diante das duas famílias. Traída, expulsa de casa e humilhada, ela encontra abrigo no pequeno apartamento das melhores amigas, Lauren e Lorena. Juntas, são três mulheres sem sorte no amor. Um ano depois, ela recebe um convite debochado para o casamento da irmã. “Vai ser em Noronha, pena que você não tem dinheiro”, diz o bilhete que acompanha o envelope. Sem dinheiro nem para trocar a resistência do chuveiro, Belinda resolve esquecer o passado da única forma que restou: vestida de coelhinha em uma despedida de solteiro cheia de empresários. Lá, movida a alguns copos de uísque, ela faz uma proposta absurda a um estranho: — Vai como meu namorado milionário? Você é bonito. Ia ser tão bom ver a cara daquela... O que era para ser uma piada vira um negócio oficial. Dias depois, Pablo envia um contrato formal assumindo o custeio de todas as despesas da viagem para ela e as amigas. Em troca, exige cláusulas rígidas de confidencialidade: sigilo absoluto sobre sua vida, proibição de fotos do seu rosto e a regra estrita de que o relacionamento é apenas uma farsa. Agora, cercadas por luxo e seguranças armados, as três amigas tentam descobrir a verdade: ele é um legítimo CEO poderoso ou alguém envolvido em negócios perigosos? Afinal, quem é o homem misterioso que Belinda está levando para o casamento da própria irmã? E por que o seu coração começou a bater mais forte por ele?
Leer másBelinda
Se o sexto sentido feminino realmente existe, o meu diz que eu saio dessa mesa noiva.
Ajeito as dobras do vestido sobre as pernas. O tampo de vidro reflete os rostos das nossas famílias reunidas. Ao meu lado, minha mãe dá três tapinhas suaves na minha mão, exibindo um sorriso. Passo os olhos pelas minhas unhas com a esmaltação branca impecável e repouso as mãos no colo para esconder o tremor sutil das pontas dos dedos.
Do outro lado do portal de vidro, no jardim de inverno, Gustavo anda em círculos. Os passos dele são curtos. A cada três segundos, os dedos sobem até o nó da gravata, afrouxando e ajustando a seda. Quando ele finalmente cruza o batente em direção à sala, vejo o volume retangular no bolso esquerdo do paletó.
O meu coração acelera.
Gustavo para ao meu lado. A respiração dele vem pesada. Ele alcança uma taça de espumante, engole metade do líquido em um único gole e arranha a garganta. Os olhos azul-piscina buscam os meus.
— Boa noite — a voz dele sai raspada, mas ele pigarreia e firma o tom. — É um privilégio ter nossas famílias reunidas. Antes de continuar, quero pedir para a Belinda ficar de pé, por favor.
Afasto a cadeira devagar. Alinho meu corpo ao dele. Minha mãe prende o ar com as mãos cruzadas sob o queixo.
— Belinda... — Gustavo se vira para mim, retirando a caixinha de veludo do bolso. — Desde que você entrou na minha vida, me tornei um homem completo. E hoje, diante de quem mais amamos, eu quero—
— EU ESTOU GRÁVIDA!
O grito estridente faz a taça da mãe de Gustavo tilintar contra o prato. Na outra ponta da mesa, Angélica se projeta para a frente. As duas mãos dela repousam firmes sobre o vestido, logo acima do ventre.
O sangue sobe quente pelas minhas bochechas. O peito arfa de raiva. Dou meio passo para o lado, pronta para apontar o dedo para a minha irmã e mandá-la sair da casa do meu noivo, mas paro. O rosto de Gustavo trava meus movimentos.
A cor simplesmente foge da pele dele. O tom rosado dá lugar a um cinza pálido. Os olhos azuis arregalados ao encarar Angélica. O peito dele sobe e desce em impulsos curtos, descontrolados.
Olho de Angélica para Gustavo. O canto dos lábios da minha irmã se eleva num deboche imperceptível para o resto da mesa. Sinto as solas dos meus pés perderem o contato com o chão.
Estendo o braço, agarro a taça de espumante mais próxima e desço o líquido de uma só vez.
— Desde quando, Gustavo? — minha voz sai baixa.
— Eu... Belinda... — A mandíbula dele treme. Gotas grossas escorrem pelo rosto. — Eu posso explicar...
O baque seco de uma cadeira estala pelo recinto. Meu pai se levanta bruscamente, apoiando as mãos sobre a mesa.
— Explicar o quê, garoto? Você vai abandonar a minha filha grávida?
Viro o pescoço devagar para o meu pai.
— O senhor está sugerindo que eu seja abandonada, pai?
— A sua irmã carrega um filho dele, Belinda! — Os olhos do meu pai se estreitam. — Deixa de ser egoísta! Ninguém comanda os sentimentos!
— O sentimento ele pode não comandar, pai — cravo os dentes —, mas o zíper da calça com certeza comanda!
— Chega, Belinda! Pare de escândalo! — minha mãe dispara, o rosto franzido em reprovação.
Dou um passo à frente, ficando a centímetros de Gustavo.
— Responda. Desde quando?
Gustavo desvia o olhar. O pai dele, Seu Tomás, fica de pé, com o pescoço inchado e avermelhado de raiva, enquanto Dona Augusta aperta um guardanapo de pano contra a testa úmida.
— Responda a ela, Gustavo! Assuma o que fez! — Seu Tomás esbraveja.
— Desde... a carona depois do bar... no seu aniversário — a voz de Gustavo sai baixa.
— NO DIA DO MEU ANIVERSÁRIO?! — O grito rasga minha garganta.
— Tomás, eu vou desmaiar... — Dona Augusta tomba sobre a cadeira.
— Você é uma vergonha, Gustavo! — Seu Tomás esmurra a mesa.
— Quero saber se você vai honrar minha família e assumir a Angélica! — meu pai volta a intervir, ignorando minhas lágrimas.
Gustavo engole em seco. Os ombros dele despencam. Ele balança a cabeça num aceno lento, caminha a passos pesados até a ponta da mesa e para diante de Angélica. Sem erguer os olhos, tira a caixinha de veludo do bolso e empurra para ela.
A minha caixa. O anel que deveria ser meu.
— Desculpa, Belinda... — ele murmura para o nada.
Os dedos de Angélica agarram o veludo com rapidez. Ela estala a tampa, retira a peça brilhante e desliza o aro pelo próprio anelar. Então, ergue o queixo e foca os olhos nos meus, abrindo um sorriso largo, triunfante e cruel.
Gustavo está noivo.
E a noiva é a minha irmã.
É... se mulheres realmente têm sexto sentido, o meu está quebrado.
Belinda Por um segundo, acho que vou desmaiar. Minha boca abre e fecha sem emitir som. Pensei tanto nesse reencontro, ensaiei o tom debochado, mas, agora, sob a brisa morna do deck e o cheiro forte de maresia, meu corpo só quer sumir. Angélica se levanta com o bebê gordinho no colo. A maquiagem dela está intacta, mas a surpresa já deu lugar àquela raiva venenosa que conheço desde infância. Ela caminha até parar bem na minha frente. — Eu quero você fora daqui! — ela fala perto do meu rosto, as bochechas coradas de indignação.— Achei que você tinha me convidado. Lindo convite, por sinal — respondo, tentando engolir em seco para a voz não tremer. Meu olhar desvia por um segundo e pousa no bebê no colo dela. É o meu sobrinho. Ele veste um macacãozinho de linho cru, tem os olhos azuis-piscina do Gustavo e um tufo de cabelo escuro bem cacheado. É lindo. Um nó apertado dá uma volta no meu peito, sabendo que essa guerra absurda vai me manter longe dele para sempre. Angélica se vira para
LaurenO calor de Noronha atinge meu rosto assim que desço da aeronave. Jogo os ombros para trás, desfaço o coque frouxo e deixo os cachos balançarem livres, dando volume com os dedos.Minha conta bancária está no vermelho absoluto. Perdi meu emprego no estúdio e o pole dance já era. Mas se for para surtar, que seja com o corpo bronzeado e assistindo de camarote à vingança da Belinda contra a família de cobras dela. Ajusto o decote da regata, sentindo o sol fritar meus ombros, e dou uma cotovelada leve em Lorena. — Essa ilha deve estar lotada de milionários dando bobeira — comento.Lorena nem pisca. O polegar dela desliza freneticamente pela tela do celular, a testa franzida numa sombra de preocupação enquanto desce do avião sem olhar para onde pisa. — Desculpa, Lau... o que você disse? — murmura, a voz sumida. Mordo a parte interna da bochecha para não deixar escapar o nome do Rafael. Prometi a mim mesma que não entraria mais nesse assunto. — Falei que vou caçar um patrocinador
BelindaO avião dá um solavanco seco e perde altitude por um segundo. Meu coração salta direto para a garganta. No puro reflexo da adrenalina, estendo a mão e agarro com força os dedos de Pablo, que está sentado bem ao meu lado.Aperto o pulso dele como se dependesse disso para sobreviver. Passam-se alguns segundos tensos, e o tremor da turbulência finalmente cessa, estabilizando o voo. Devagar, o calor da pele dele me faz voltar à realidade. Olho para o lado e me dou conta do que acabei de fazer. Estou esmagando a mão de um homem praticamente estranho.Encaro Pablo pronta para soltá-lo e pedir mil desculpas, mas congelo.O vinco sério entre as sobrancelhas dele sumiu. Pablo está olhado para mim e, pela primeira vez desde que o conheci naquela despedida de solteiro, ele abre um sorriso genuíno e caloroso. Os olhos amendoados dele brilham de um jeito leve, quase se divertindo com o meu pavor. Escuto as risadinhas de Lauren e Lorena nas poltronas ao lado.Ele precisava ser bonito assi
BelindaChegamos duas horas antes no aeroporto. Divido com a Lauren um pacote de pão de queijo caríssimo e esperamos o Pablo em um café superfaturado perto dos portões comuns.— Estou começando a achar que isso é uma péssima ideia, péssima mesmo — murmuro.— Noronha de graça? — Lauren solta uma risada, mastigando o último pedaço da sacola.— Aparecer no casamento da Angélica...— Mas ela te convidou.Olho de cara feia para Lauren e tomo um gole do café fumegante, sentindo a língua queimar.— Obviamente ela queria me humilhar, e não me convidar de verdade.— Azar o dela. — Lauren dá ombros e puxa o celular, olhando para a tela recém-desbloqueada. — Lorena tá chegando com o Rafael.Reviro os olhos e solto o ar com força pelo nariz.— Não consigo gostar dele — admito em voz baixa.— É... eu também não.— Mas ela tá feliz, né? Inclusive, depois precisamos ajustar as contas do aluguel, Lau. Tudo bem?Lauren sorri e faz que sim com a cabeça. Me reconforto com a ideia de que, mesmo com a mud





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